Guiné-Bissau

Bubo Na Tchuto - ex e novo - Chefe de Estado Maior da Armada Guineense

Contra almirante Bubo Na Tchuto, Chefe de Estado Maior da Armada guineense, em agosto 2008.
Contra almirante Bubo Na Tchuto, Chefe de Estado Maior da Armada guineense, em agosto 2008. AFP

 O contra almirante Bubo Na Tchuto, acusado e mais tarde ilibado de tentiva de golpe de estado em 2008, é acusado pelos Estados Unidos da América de ser o maior narcotraficante da Guiné-Bissau.

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O Presidente Malam Bacai Sanha, chefe supremo das Forças Armadas guineenses, nomeou ontem (7/10/2010) por decreto e sob proposta do governo, o contra almirante José Américo Bubo Na Tchuto para Chefe de Estado Maior da Armada, cargo que este ocupava em 2008, quando foi acusado de tentativa de golpe de estado.

Bubo Na Tchuto fugiu então para a Gâmbia, de onde regressou em Dezembro de 2009 e se refugiou nas instalações das Nações Unidas em Bissau, de onde só saiu no dia 1 de Abril, na sequência do golpe de estado militar liderado pelo então Vice-Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas António Indjai, entretanto promovido a CEMGFA.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos acusou em Abril, o contra almirante Bubo Na Tchuto e o Chefe de Estado Maior da Força Aérea, general Ibrahima Papa Camará de tràfico de droga e congelou os seus bens nesse país.
Bubo Na Tchuto foi designadamente acusado de envolvimento no desvio, em julho de 2008, de 600 kgs de cocaína interceptada a bordo de um avião proveniente da Venezuela.

O Preidente noemou ainda o major-general Mamadu Turé, para Vice-Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, cargo que vai acumular com o de Chefe de Estado Maior do Exército, função que ocupa desde 2007 ; por sua vez o antigo Chefe de Estado Maior da Armada, comodoro Estêvão Na Mena, foi nomeado inspector-geral das Forças Armadas guineenses, cargo que Bubo na Tchuto teria recusado.

Hoje, antes de seguir para a Líbia, onde vai participar domingo na cimeira Afro-Ârabe, o presidente Malam Bacai Sanhá justificou estas nomeações em nome da estabilidade necessária à implementação das reformas do sistema de defesa e segurança da Guiné-Bissau.

Libertação de Zamora Induta

O antigo Chefe de Estado Maior das Forças Armadas guineenses almirante José Zamora Induta, detido desde 1 de abril e nunca julgado, poderia ser libertado hoje (8/10/2010), avança o site Bissau Digital, citando a agência portuguesa PNN, que refere fontes das Nações Unidas em Bissau. Contactada pela RFI a ONUGBIS afirma que tal não é do seu foro.

Segundo a PNN a decisão do Tribunal Militar de libertar Zamora Induta, fundamenta-se na falta de provas implicando-o nas acusações apresentadas pelo actual CEMGFA António Indjai, que liderou o levantamento militar de 1 de abril.

A libertação e/ou julgamento de Zamora Induta, é uma das exigências da União Europeia, para retomar a ajuda à reforma do sistema de defesa e segurança da Guiné-Bissau, suspenso na sequência dos acontecimentos de 1 de abril.

Até ao momento nem a União Europeia, nem os Estados Unidos reagiram a estas nomeações.
A ONUGBIS deve ainda hoje produzir um comincado sobre as mesmas.

 

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