Moçambique

Ministros exonerados devido a mau desempenho

Presidente de Moçambique Armando Emiíio Guebuza.
Presidente de Moçambique Armando Emiíio Guebuza. Reuters / Grant Lee Neuenburg

 O Chefe de Estado Armando Emílio Guebuza elogiou o trabalho dos quatro ministros cessantes e exigiu resultados tangíveis aos novos ministros a quem conferiu posse ontem.

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Na passada segunda-feira (11/10/2010) o presidente moçambicano Armando Guebuza exonerou três elementos do seu governo : os ministros da Agricultura Soares Nhaca, da Saúde Ivo Garrido e da Indústria e Comércio Antonio Fernando.

O ministro do Interior José Pacheco, transitou para a pasta da Agricultura (que já ocupara no passado) e foi substítuido no Ministério do Interior por Alberto Mondlane, até agora reitor da Academia de Ciências Policiais (ACIPOL).

Para a pasta da Saúde foi nomeado Alexandre Manguele, que até agora exercia funções executivas no Município de Maputo, e para ministro da Indústria e Comércio foi designado  Armando Inroga, presidente da Associação dos Economistas de Moçambique.

Estas exonerações, surgem na sequência das manifestações contra o aumento dos bens alimentares de primeira necessidade e dos combustíveis nos passados dias 1 e 2 de setembro, cuja repressão policial com utilização de balas reais causou a morte de 14 pessoas segundo dados oficiais/18 segundo fontes clínicas, principalmente nas cidades de Maputo e Matola, arredores da capital moçambicana.

Num país com surpreendentes e elogiadas taxas de crescimento económico, esta revolta popular veio mostrar que o bom desempenho do PIB, esconde importantes assimetrias da população moçambicana, de que 90% vive com menos de 2 dólares por dia.

O Primeiro-Ministro Aires Aly, considerou por sua vez que a remodelação nada tem a ver com as manifestações e que o mau desempenho foi a razão da saída dos ministros, que visa imprimir "mais dinamismo e uma postura mais activa" ao novo executivo moçambicano.

O partido FRELIMO, no poder, saudou esta remodelação, enquanto os principais partidos da oposição RENAMO e MDM acusam o Presidente de "fracasso e de procurar bodes expiatórios".

Entrevistado por João Matos, o sociólogo moçambicano João Colaço, considera que esta remodelação gera expectativas, pois os ministros demitidos falharam, na forma como dirigiram os respectivos pelouros e foram vítimas do descontentamento popular, que exigiu mudanças no governo.

João Colaço, sociólogo e docente universitário moçambicano

 

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