Moçambique / Sida

Fábrica de medicamentos contra a SIDA inaugurada em 2011 em Moçambique

Getty Images/Chad Baker

A construção de primeira fábrica de medicamentos genéricos para combater a SIDA em Moçambique "pode ser anunciada como uma revolução", defendeu o presidente brasileiro, Lula da Silva, no segundo e último dia de visita a Moçambique.

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Apesar da "tristeza" por não inaugurar, como previsto, a fábrica de medicamentos que o Brasil está a construir na Matola, arredores de Maputo, com o apoio da empresa brasileira Vale, e da Fundação Fiocruz, Lula da Silva salientou a importância da infra-estrutura, que vai ter capacidade para produzir, anualmente, 250 milhões de comprimidos, só para o combate à SIDA.

"Para terem uma dimensão do que estamos a falar, no Brasil entregamos remédios para 138.000 pessoas. Aqui há 400.000 pessoas que não recebem remédios", exemplificou o presidente brasileiro.

A fábrica vai libertar Moçambique de estar subordinado aos laboratórios dos países desenvolvidos e à importação de remédios, e permitir atender as necessidades do país e de outros Estados africanos.

Para Lula da Silva, a sua geração "está a fazer as reparações que deveriam ter sido feitas noutros momentos", acrescentando que "é uma pena que outros Governos preferiram olhar para os olhos verdes da Europa, do que para os olhos castanhos de África".

Segundo o presidente brasileiro, todas as máquinas necessárias ao funcionamento da unidade fabril estão contratadas e encomendadas, e começarão a chegar a partir de Março de 2011.

Lula da Silva explicou que houve "problemas financeiros", mas que "a Vale assumiu a responsabilidade de colocar 4,5 milhões de dólares (3,2 milhões de euros)", para que a fábrica seja definitivamente inaugurada em 2011.

Para o ministro da Saúde moçambicano, Alexandre Manguele, a fábrica de anti-retrovirais e outros medicamentos "terá impacto directo no tratamento de doenças e irá aumentar a esperança média de vida, bem como melhorar a qualidade de vida dos moçambicanos".

Um projecto cujos atrasos, Rosa Tardelli, editora executiva da Agência de Notícias em Resposta à SIDA, em Moçambique, espera que possam ser ultrapassados.

Rosa Tardelli, editora executiva da Agência de Notícias em Resposta à SIDA, em Moçambique, entrevistada por Leticia Constant

 

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