Guiné-Conacri

Alpha Condé vence presidenciais na Guiné-Conacri

Alpha Condé, opositor histórico de 72 anos
Alpha Condé, opositor histórico de 72 anos AFP/Issouf Sanogo

Alpha Condé, opositor histórico de 72 anos, ganhou as eleições presidenciais na Guiné-Conacri com 52,5% das intenções de voto. Os resultados provisórios oficiais foram anunciados pela CENI. O período pós-eleitoral está a ser marcado por cenas de violência, troca de acusações e apelos internacionais à paz e à tranquilidade.

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Os primeiros resultados foram divulgados pelo general Siaka Sangaré, presidente da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), que sublinha a afluência às urnas na ordem dos 67%. Os números colocam Alpha Condé, o adversário histórico de todos os regimes que se têm sucedido em Conacri, à cabeça da corrida com 52,5% dos votos, contra os 47,4% do antigo primeiro-ministro Cellou Dalein Diallo.

Se na altura da campanha eleitoral e no período que antecedeu esta segunda volta, os episódios de violência e os confrontos entre os apoiantes dos dois candidatos eram recorrentes, o ambiente pós-eleitoral não é melhor. Segundo a agência de notícias AFP, que cita fontes policiais e da Cruz Vermelha, pelo menos quatro pessoas morreram e várias dezenas ficaram feridas, resultado destes atos de violência. O próprio candidato derrotado, Cellou Dalein Diallo acusou, esta terça-feira, as forças de autoridade de "brutalidade selvagem".

Na primeira declaração pública, depois do anúncio dos resultados, Alpha Condé, falou em "reconciliação" e ao seu adversário lançou um desafio, disse que o tempo que ai vem "é tempo para darem as mãos". O candidato derrotado falou aos seus apoiantes, pediu para evitarem atos de violência e para esperarem pelos resultados das reclamações que foram apresentadas no Tribunal Supremo.

A comunidade internacional, também, já se pronunciou sobre o sufrágio. A França apelou à calma e à responsabilidade, o Secretário-Geral da Organização Internacional da Francofonia, Abdou Diouf, pediu aos candidatos para aceitarem os resultados e em caso de descontentamento para recorrerem exclusivamente às vias legais. Por fim, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon convidou todos os guineenses a aceitarem os resultados.

A 7 de Novembro, a Guiné-Conacri foi submetida ao mais rígido teste à democracia. Quatro meses depois da primeira volta, os guineenses foram chamados às urnas para, finalmente, levarem a cabo a segunda volta das eleições presidenciais. Um sufrágio que é muito mais que um duelo entre os dois presidenciáveis, Cellou Dalein Diallo e Alpha Condé. As eleições em Conacri põem lado a lado nesta corrida as duas principais etnias do país, mandingas e fulas.

Sobre a segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Conacri, o jornalista Miguel Martins entrevistou Eduardo Costa Dias, investigador do Centro de Estudos Africanos de Lisboa.

 

Eduardo Costa Dias, investigador do Centro de Estudos Africanos de Lisboa

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