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Costa do Marfim

Costa do Marfim : ONU declara irrefutável a vitória da oposição

Alassane Ouattara, Laurent Gbagbo, montage RFI.
Alassane Ouattara, Laurent Gbagbo, montage RFI. AFP/RFI
Texto por: Isabel Pinto Machado | Liliana Henriques | Miguel Martins
7 min

 Prossegue o impasse na Costa do Marfim, que neste momento tem dois presidentes, dois primeiros ministros e dois governos, a eminência de uma nova guerra civil paira no país.

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 Depois da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental ter decidido na passada terça-feira (7/12/2010) suspender a Costa do Marfim da organização, e ter reconhecido a vitória de Alassane Ouattara na segunda volta das presidenciais de 28 de novembro, e pedido ao presidente cessante Laurent Gbagbo que abandone o poder, ontem (8/12/2010) e ao cabo de árduas e longas discussões, o Conselho de Segurança da ONU condenou de forma contundente, qualquer esforço para subverter a vontade do povo marfinense ou minar a integridade do processo eleitoral na Costa do Marfim.

A declaração da ONU, que não certifica a vitória de Alassane Ouatara, para não ferir as susceptibilidades da Rússia, pede às partes implicadas o reconhecimento das decisões da CEDEAO. Embora sem utilizar o termo sanções, a ONU ameaça com medidas “apropriadas” todos os que se opuserem ao processo de paz na Costa do Marfim.
Também e pela primeira vez, a África do Sul tomou posição e pediu a Laurent Gbagbo que abandone o poder.

O presidente da União Africana e presidente do Malawi, Bingu wa Mutharika aconselhou igualmente Laurent Gbagbo a retirar-se e a aceitar a vontade popular, para evitar um banho de sangue.

O Conselho de Paz e Segurança da União Africana reúne-se hoje (9/12/2010) em Adis Abeba, na Etiópia, para debater a eventual adopção de sanções contra o presidente cessante Laurent Gbagbo, se este continuar a recusar aceitar os resultados proclamados pela Comissão Eleitoral Independente, que atribuiu a vitória a Alassane Ouattara com 54,1% de votos, vitória anulada posteriormente pelo Conselho Constitucional, que proclamou Laurent Gbagbo vencedor com 51,4% de votos, após ter invalidado cerca de meio milhão de sufrágios em áreas que apoiam a oposição.

No inicio desta semana o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, general Philippe Mangou, próximo de Laurent Gbagbo, anunciou aumentos salariais para os militares, cujas altas patentes se mantêm fieis ao presidente cessante. O exército marfinense que até à data se tem mantido calmo, patrulha nas ruas após o recolher obrigatório, em vigor até 13 de dezembro.

O reconhecimento de Alassane Ouattara pela quase totalidade da comunidade internacional, isola Laurent Gbagbo, mas tal pode também revelar-se uma “faca de dois gumes”.

Tal é a opinião de Michel Cahen, director-adjunto do Centro de Estudos da África Negra, no Instituto de Ciências Políticas de Bordéus, que em entrevista a Miguel Martins, afirma temer que esta crise possa degenerar numa nova guerra civil na Costa do Marfim.

Michel Cahen, director-adjunto do Centro de Estudos da África Negra, em Bordéus

Por sua vez, Fafali Koudawo, reitor da Universidade Colinas do Boé, em Bissau, entrevistado por Liliana Henriques, afirma que as eleições não são necessariamente uma solução, para as crises violentas que assolam África.

Fafali Koudawo, reitor da Universidade Colinas do Boé, em Bissau

 

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