Obasanjo poderá substituir Pedro Pires como mediador da CEDEAO na Costa do Marfim

O antigo Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo
O antigo Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo Getty Images

O chefe de Estado nigeriano e presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África do Oeste (CEDEAO), Goodluck Jonathan, nomeou o antigo chefe de Estado nigeriano, Olusegun Obasanjo, como enviado especial para a Costa do Marfim, confirmou a Presidência nigeriana. Isto numa altura em que a oposição em Cabo Verde pede o afastamento de Pedro Pires.

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Obasanjo já esteve este fim-de-semana na Costa do Marfim, para se reunir com o Presidente cessante, Laurent Gbagbo, e com Alassane Ouattara, vencedor proclamado da segunda volta das eleições presidenciais de 28 de Novembro de 2010.

A CEDEAO exortou Gbagbo a deixar o poder sob pena de ser obrigado a fazê-lo pela força, mas o Presidente cessante mantém-se no poder.

Obasanjo, na sua qualidade de Presidente da Nigéria, desempenhou um papel importante na restauração da paz depois da primeira guerra civil entre 2002 e 2003 na Costa do Marfim.

A nomeação de Obasanjo poderá significar que Pedro Pires, Presidente de Cabo Verde, esteja de saída do grupo de três mediadores da CEDEAO para a Costa do Marfim, formado ainda pelos presidentes da Serra Leoa e do Benin.

Em Cabo Verde, e em plena campanha eleitoral para as legislativas de Fevereiro, Carlos Veiga, na oposição, defendeu o afastamento de Pedro Pires da mediaçao da CEDEAO na Costa do Marfim.

Na passada Sexta-Feira, Carlos Veiga afirmou que Pedro Pires "deixou de ter condições políticas para se manter no trio" de chefes de Estado que a CEDEAO enviou para a Costa do Marfim, porque a sua imparcialidade está a ser questionada.

"A sua neutralidade e imparcialidade são questionadas pelo campo Ouattara, que o acusa de ter influenciado a desvirtuação da missão do trio, transformada, de facto, numa pretensa mediação e vista como desrespeito a uma decisão formal e oficial da CEDEAO, servindo de estratégia dilatória que Gabgbo tem adotado, enquanto no terreno espalha a violência e o medo, prolongando o calvário dos ivoirienses", afirmou Carlos Veiga, citado pela Agência Angop.

O Presidente cabo-verdiano, Pedro Pires, já desvalorizou o “pedido” do líder da oposição, Carlos Veiga, para que abandone o trio de mediação da CEDEAO na Costa do Marfim.

Para o chefe de Estado, as palavras do líder da oposição são de “gente que não entende nada” sobre o assunto.

Os Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO reúnem-se no próximo dia 14 de Janeiro, para discutir a continuidade ou não da missão de mediação na Costa do Marfim.

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