Guiné-Bissau

Mal-estar entre a Guiné-Bissau e Portugal na sequência do caso dos "Sírios"

Aeroporto internacional de Bissau
Aeroporto internacional de Bissau DR

A Guiné-Bissau lamentou hoje a suspensão dos voos da TAP para a capital guineense na sequência da chegada ontem a Portugal de 74 passageiros em situação irregular provenientes da Guiné-Bissau, depois da tripulação do avião que os transportava ter sido presumivelmente coagida a deixá-los embarcar apesar de se ter conhecimento de que os seus documentos eram falsos.

Publicidade

As reacções ao sucedido não se fizeram esperar desde já a nível interno, designadamente com Fernando Vaz, porta-voz do governo Guineense, a considerar "lamentável que a TAP confunda questões comerciais com questões políticas". Paralelamente, as autoridades que ainda não têm uma explicação sobre o alegado embarque forçado de passageiros para Lisboa, referem que vão averiguar o sucedido. Mais explicações com o correspondente Mussa Baldé.

Mussa Baldé, correspondente da RFI em Bissau

Por sua vez, ao tentar desdramatizar o incidente, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, Fernando Delfim da Silva, lamenta o sucedido e considera que "o que aconteceu não é do interesse da Guiné-Bissau, não ajuda ninguém e não ajuda as relações com Portugal". Ao referir que as autoridades vão "fazer tudo para que a normalidade regresse", o chefe da diplomacia Guineense também declarou que se vão "apurar responsabilidades e tirar consequências".

Fernando Delfim da Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de transição Guineense

Os 74 passageiros alegadamente de nacionalidade síria, 21 crianças, 15 mulheres e 38 homens, embarcaram na madrugada de terça-feira num voo da TAP de Bissau para Lisboa, munidos de passaportes falsos da Turquia. Os candidatos ao estatuto de refugiados que se encontram actualmente retidos em Lisboa, terão utilizado uma rota de imigração ilegal conhecida das autoridades portuguesas que tem servido para entrar na Europa nos últimos meses. Os passageiros teriam saído da Síria, passando pela Turquia, depois Marrocos, em seguida Bissau, para chegar à Europa via Lisboa, antes de seguir para outros destinos dentro do continente, designadamente a Alemanha. De Damasco a Berlim, com passagem por Lisboa, fugir à guerra custa milhares de euros.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras procura agora apurar, segundo a imprensa desta quinta-feira, se o grupo de candidatos a asilo em Portugal inclui extremistas. Por sua vez, em conferência de imprensa, o Ministro da Presidência de Portugal, Marques Guedes, afirmou que a suspensão dos voos para Bissau foi motivada por uma situação "completamente incontrolável e inadmissível" de embarque forçado.

Luís Marques Guedes, Ministro da Presidência de Portugal

Refira-se ainda que actualmente a TAP está a disponibilizar rotas alternativas para os passageiros que tenham marcado algum voo entre Bissau e Lisboa, a companhia aérea tendo-se igualmente mostrado disponível para reembolsar quem comprou bilhetes para voar entre as duas capitais.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.