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Cabo Verde / Portugal

Casa dos Estudantes do Império em Portugal criada há 70 anos

Homenagem em Coimbra á Casa dos Estudantes do Império criada há 70 anos
Homenagem em Coimbra á Casa dos Estudantes do Império criada há 70 anos UCCLA
Texto por: Isabel Pinto Machado
10 min

A Universidade de Coimbra, que com Lisboa e mais tarde também o Porto, albergou as sedes da Casa dos Estudantes do Império, reuniu hoje uma série de personalidades, entre as quais antigos membros da CEI, para assinalar os 70 anos da criação desta instituição, verdadeiro cadinho dos nacionalistas das ex-colónias, encerrada pela PIDE em 1965.

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Desde hoje (28/10) e até ao final do próximo mês de Maio, com a organizaçao de um colóquio internacional, será evocada através de diferentes manifestações a importância da  Casa dos Estudantes do Império (CEI) na formação politico-cultural dos seus associados.

Criada em 1943, mas oficialmente fundada em 1944, para acolher os estudantes das antigas colónias portuguesas, onde não existiam instituições de ensino superior, esta acabou por formar e politizar as élites africanas e não só, pois foi o cadinho que reuniu os futuros líderes dos Movimentos de Libertação.

O regime de Salazar, que pretendia com a CEI fortalecer a mentalidade do Império e da portugalidade nos estudantes das ex-colónias, deu um tiro no seu próprio pé, pois esta transformou-se no berço dos nacionalismos e num importante núcleo de luta contra o fascismo e pelas independências.

Em 1960 a CEI tinha cerca de 600 sócios e um ano depois cerca de uma centena fugiram da mesma, com o objectivo de reforçar as direcções na clandestinidade dos Movimentos de Libertação das colónias africanas.

Frequentaram a Casa dos Estudantes do Império entre muitos outros Amílcar Cabral, Vasco Cabral, Pedro Pires, Agostinho Neto, Mário Pinto de Andrade, Luandino Vieira, Pepetela, Joaquim Chissano, Marcelino dos Santos ou ainda Manuel Pinto da Costa, Francisco Tenreiro, Alda Espírito Santo ou Alfredo Margarido.

Para o antigo diplomata e poeta cabo-verdiano Corsino Fortes, hoje com 81 anos de idade e que frequentou assíduamente a Casa dos Estudantes do Império entre 1961 e 1966, enquanto estudava direito em Lisboa, "a CEI foi um lugar priveligiado, de troca de informações e também de enriquecimento politico, cultural e um fomento de uma consciência de amizade, de solidariedade, que iria dar frutos excelentes depois das independências... a CEI foi, quer queiramos quer não, um cadinho que formou duma forma extraordinária, e ainda há amizades que tiveram raízes profundas na CEI....que cimentou não só em termos politicos, em termos éticos e também em termos culturais, toda uma vivência que ainda hoje perdura...há de facto essa comunhão que tem como subjacência a língua portufguesa como uma pátria emocional".

Corsino Fortes

 

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