Moçambique

Moçambique: maldição dos recursos minerais ?

Mina de carvão a céu aberto
Mina de carvão a céu aberto Gettyuimages:Galloimages/Richard du Toit

Depois do anunciado "eldorado" após a descoberta de enormes jazidas no Norte e Centro de Moçambique, capazes de banir a pobreza do país, as multinacionais que exploram os recursos minerais estão em debandada, alegando a baixa dos preços dos produtos nos mercados munidais e a ausência de infraestruturas para o escoamento dos mesmos.

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Despedimentos e rescisões forçadas de contratos de trabalho, marcam o dia a dia de empresas multinacionais, que afluiram em força a Moçambique à procura do novo "eldorado" dos recursos minerais, designadamente carvão e areias pesadas.

Em causa estão a baixa dos preços dos minerais nos mercados internacionais, os elevados custos de extração e as dificuldades de escoamento, devido à falta de infraestruturas em Moçambique.

A empresa irlandesa Kenmare Resources - uma das principais produtoras mundiais de titânio e zircão - anunciou esta semana o despedimento de entre 15/ 20% dos trabalhadores nas minas de areias pesadas em Moma, província de Nampula, no norte de Moçambique, apesar de ter conseguido reduzir de 14% os custos da sua operação, tal não compensa a quebra do preço dos minérios no mercado internacional, estimada em cerca de um terço desde 2012.

Gabriel Nembo, do comité sindical da Kenmare Resources afirma que "a empresa evocou a baixa dos preços no mercado internacional....e quer despedir 370 trabalhadores".

As autoridades de Nampula agendaram para 24 de Fevereiro um encontro com a direcção da empresa, que anuncia ter acumulado prejuízos na ordem dos 17,9 milhões de dólares no primeiro semestre de 2014, quando no período homólogo de 2013 os lucros rondaram os 7 milhões de dólares.

Orfeu Lisboa, correspondente em Maputo

De recordar que a mineradora indiana Tata Steel anunciou também esta semana a suspensão de todos os investimentos nas minas de carvão de coque em Benga, província de Tete e pretende vender a sua participação de 35% nesta mina, após ter registado em 2014 perto de 254 milhões de dólares  de prejuízos, nesta mesma mina, cedida pela australiana Riversdale Minig em 2011 à também australiana Rio Tinto, que por sua vez em Julho de 2014 e a pretexto igualmente de elevados prejuízos, vendeu 65% da sua participação ao consórcio estatal indiano Coal Ventures Private Limited, por cerca de 50 milhões de dólares, muito abaixo dos 3.6 mil milhões de dálares a que a comprou em 2011.

Jà no final no ano passado a mineradora brasileira Vale, anunciou a intenção de vender à japonesa Mitsui por 450 milhões de dólares, 15% das suas acções nas minas de carvão de Moatize, na província de Tete, alegando igualmente acumulação de prejuízos.

Em 2013 a norte-americana Anadarko Petroleum vendeu aos indianos Videocon Industries, 10% da sua participação, (continuando maioritária com 26,5) no Bloco 1 da Bacia do Rovuma, norte de Moçambique, onde se estima que existam mais de 65 biliões de metros cúbicos de gás, e onde operam também a japonesa Mitsui (20%), a indiana BPRL Ventures (10%), a tailandesa PTTEP (8,5%) e a estatal moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, com os restantes 15%.

 

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