ÁFRICA DO SUL/MOÇAMBIQUE

Mais um moçambicano morto na vaga xenófoba na África do Sul

Discourso do rei dos Zulus, Goodwill Zwelithini, em Durban a 20 de Abril de 2015
Discourso do rei dos Zulus, Goodwill Zwelithini, em Durban a 20 de Abril de 2015 Reuteurs

O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, considera a onda de xenofobia na vizinha África do Sul como "actos tristes e horríveis, que chocam a consciência colectiva como nação e que mostram total desrespeito ao valor da vida humana". Um novo moçambicano morreu na África do Sul na sequência da vaga xenófoba que assola aquele país.

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Num dia em que mais um cidadão moçambicano foi morto vítima da onda xenófoba em Joanesburgo na vizinha africa do sul, o chefe de estado moçambicano Filipe Nyusi já veio condenar estes actos.

Apesar dos apelos para a não retaliação dos actos xenófobos por parte das autoridades governamentais, o certo é que, são muitos os cidadãos de origem sul-africana que vivem e trabalham em Moçambique mas que agora estão a deixar o país em massa por temer represálias.
 

Confira aqui a crónica de Orfeu Lisboa, correspondente em Maputo.

Correspondência de Moçambique

Entretanto na África do Sul o rei Zulu, Goodwill Zwelithini, veio hoje a público rejeitar toda e qualquer responsabilidade na onda de violência xenófoba que já fez pelo menos sete mortos, entre eles três moçambicanos, e milhares de refugiados. O rei zulu, que era acusado de em Março ter apelado os estrangeiros a fazerem as malas e a saírem do país.

Noutro plano, o governo de Pretória prometeu mão dura contra os autores dos actos de xenofobia. Segundo o ministério do interior sul-africano, mais de 300 pessoas já foram detidas desde o início da violência contra as comunidades estrangeiras a residir no país. Apesar de uma relativa acalmia, há ainda registos de confrontos nas cidades de Durban e Joanesburgo.

Além de Moçambique, o Malawi e o Zimbabué procedem ao repatriamentos dos seus cidadãos. Desde que os ataques contra estrangeiros eclodiram na África do sul, há mais de duas semanas, cerca de 600 moçambicanos fugiram com medo para centros de refugiados. Destes, 107 já regressaram a Moçambique, devendo mais 400 regressar na terça-feira.

Fernando Fazenda, embaixador moçambicano na África do Sul confirmou a Isabel Pinto Machado que depois de resolvidos alguns constrangimentos o repatriamento de moçambicanos poderá retomar amanhã, depois e assim sucessivamente, mas mostra-se céptico quanto à evolução da situação.

Fernando Fazenda, embaixador moçambicano na África do Sul

Jonas Fenias Sitoi, 1° secretário da FRELIMO (partido no poder em Moçambique) na África do Sul, comerciante em Joanesburgo, confia no trabalho conjunto entre os governos moçambicano e sul-africano, para pôr termo a esta nova vaga de violência xenófoba, que causou a morte de 3 cidadãos moçambicanos.

O último terá sido morto à facada na madrugada de sábado para domingo nos arredores de Joanesburgo, um crime que levou à prisão de 3 pessoas, faltando ainda deter o quarto agressor, cujas circunstâncias ele começa por referir a Isabel Pinto Machado.

Jonas Fenias Sitoi, primeiro secretário da FRELIMO na África do Sul

 

 

 

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