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Burkina Faso/Golpe de Estado

Militares próximos de presidente deposto tomam poder no Burkina Faso

Mamadu Bamba, durante o pronunciamento televisivo em que o RSP anunciou o golpe de Estado
Mamadu Bamba, durante o pronunciamento televisivo em que o RSP anunciou o golpe de Estado RTB
Texto por: RFI
3 min

O Burkina Faso, país do oeste da África, sofreu um golpe de Estado na madrugada de quarta (16) para quinta-feira. Uma junta militar ligada ao presidente deposto Blaise Compaoré anunciou a dissolução do governo interino e da Assembleia de transição, a um mês das eleições presidenciais.

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O golpe começou na quarta-feira com a detenção, por homens da guarda presidencial, do presidente interino, Michel Kafando e o primeiro-ministro Isaac Zida. A situação no país é muito confusa: a junta militar afirma que destituiu o governo para organizar novas eleições e, na quinta-feira, anunciou o fechamento das fronteiras e um toque de recolher noturno.

Em um discurso exibido na televisão, Mamadu Bamba, do Regimento de Segurança Presidencial (RSP), anunciou a renúncia do presidente e as dissoluções tanto do governo de transição como do Conselho Nacional de Transição. O RSP, guarda de Blaise Compaoré, rejeita uma lei polêmica, que proíbe a participação dos partidários do ex-presidente nas eleições previstas para 11 de outubro.

Compaoré, que já estava no poder há 27 anos, tentou emendar a Constituição para acabar com o limite de reeleições. Essa tentativa foi a gota d'água para a população, que foi às ruas em outubro de 2014 e destituiu o presidente.

"Regime desviado"

As decisões dos militares foram tomadas após a reunião de um autodenominado "Conselho Nacional da Democracia", que acabou com o "regime desviado da transição", disse o militar na televisão. "Teve início um grande diálogo para formar um governo que se dedicará à restauração da ordem política do país e da coesão nacional que conduza a eleições inclusivas e calmas", completou Bamba. .

Após o anúncio da tomada de poder, o presidente do Conselho Nacional de Transição, Cheriff Sy, denunciou na rádio francesa RFI um "golpe de Estado" e pediu a mobilização imediata da população. Nesta manhã, militares atiraram para dispersar a multidão que saiu às ruas da capital Ouagadougou para exigir a libertação do presidente. O país, ex-colônia francesa, entrou em uma fase de turbulência política há um ano, com a queda de Campaoré.

Reação internacional

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, pediu a libertação imediata do presidente, do primeiro-ministro, de dois ministros e do presidente do Parlamento, sequestrados desde quarta-feira pelo RSP. A ONU, a União Europeia, a Cedeao, União Africana condenaram o golpe e pedem a libertação imediata dos governantes sequestrados pelos militares. O presidente francês, François Hollande, afirmou que "não pode haver legalidade com golpistas" e Paris recomendou que todos os franceses que vivem em Ouagadougou fiquem em suas casas.

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