Líbia/crise

Conferência sobre Líbia quer afastar ameaça jihadista

O chefe da diplomacia americana, JOhn Kerry (à esq.), participa da Conferência Internacional sobre a Líbia.
O chefe da diplomacia americana, JOhn Kerry (à esq.), participa da Conferência Internacional sobre a Líbia.

Estados Unidos e Itália presidem neste domingo (13), em Roma, uma Conferência Internacional sobre a Líbia para acelerar a formação de um governo de união nacional. A medida visa reforçar as estruturas políticas do país e afastar a ameaça terrorista que se expande na Líbia em meio ao caos da era pós-Kadhafi.

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Os países ocidentais estão sobretudo preocupados com a implantação dos jihadistas do grupo Estado Islâmico na região de Sirte, antigo reduto do ex-líder líbio Muamar Kadhafi.

O secretário norte-americano John Kerry e o ministro das Relações Exteriores da Itália, Paolo Gentiloni, abriram a reunião ao lado do emissário da ONU para a Líbia, Martin Kobler, e dezoito delegados. O objetivo é encontrar uma saída política depois de um ano de discussões no âmbito das Nações Unidas.

As delegações dos dois governos rivais na Líbia aceitaram assinar um acordo no próximo dia 16 de dezembro, mas enfrentam oposição de representantes "linha-dura" no interior de seus próprios grupos políticos.

No último final de semana, a Câmara dos Representantes, o parlamento líbio legítimo exilado no leste do país, e o Congresso Geral Nacional, assembleia concorrente que tem sede em Trípoli, concluíram um acordo para resolver o conflito.

O compromisso prevê a formação de um comitê de dez membros - cinco de cada parlamento-, que deverá designar um primeiro-ministro interino e dois adjuntos. Eleições legislativas serão organizadas em dois anos.

A proposta feita pela ONU estabelece a criação de um Conselho presidencial composto de seis membros, que deve representar os tradicionais centros de poderes regionais do país. Além disso, cria uma Câmara dos representantes e uma segunda câmara, consultativa, que é o Conselho de Estado.

O Conselho presidencial poderia formar um novo governo 30 dias depois da assinatura do acordo. Mas estruturas tribais da Líbia e a fragmentação das forças políticas do país ameaçam a aplicação do acordo.

Apoio da comunidade internacional

Segundo fontes diplomáticas americanas, a Conferência de Roma visa confirmar o acordo negociado entre as diversas facções e mostrar o apoio da comunidade internacional.

O acordo prevê que o futuro governo de união nacional possa pedir ajuda militar internacional para combater o grupo Estado Islâmico, que se expande por todo o território líbio.

Os países ocidentais podem ajudar a treinar e equipar as forças líbias comprometidas na luta contra os jihadistas. Segundo estimativas, o grupo conta com mais de 3 mil homens no país.

"Devemos mostrar que os governos podem agir rápido e de maneira mais eficaz contra a ameaça terrorista", disse no sábado o chefe da diplomacia italiana.
 

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