Morte

Morre Papa Wemba, ícone da música africana

O músico congolês Papa Wemba se sentiu mal durante uma apresentação em Abidjan, na Costa do Marfim, no sábado (23).
O músico congolês Papa Wemba se sentiu mal durante uma apresentação em Abidjan, na Costa do Marfim, no sábado (23). © E. Sadaka

O congolês Jules Shungu Wembadio Pene Kikumba, que ficou conhecido como Papa Wemba, disse adeus aos palcos neste domingo (24). O músico de 66 anos passou mal durante um show do Festival de Músicas Urbanas de Anoumabo (Femua), em Abidjan, na Costa do Marfim, no sábado (23) e morreu ao chegar ao hospital.

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A morte de Papa Wemba, pai da rumba congolesa, suscitou uma imensa emoção na África e na França, onde morava. Foram os próprios organizadores do festival que anunciaram o falecimento do artista. Após passar mal durante sua apresentação, ele foi levado a um hospital da capital marfinesa, mas faleceu logo que chegou ao local.

O enviado especial da RFI à Abidjan, Olivier Rogez, assistia ao show de Papa Wemba. Por volta das 5h local, e sob um calor intenso, o artista começou a dar sinais de que não estava se sentindo bem. Na performance da quarta música de sua apresentação, o músico caiu no palco.

Ele chegou a ser retirado consciente do local, mas visivelmente muito afetado. Segundo Rogez, os médicos socorristas chegaram rapidamente, mas Papa Wemba não sobreviveu.

Rumba lânguida e eletrizante

Nascido em 1949 na cidade de Kasai Oriental, na República Democrática do Congo, o músico era adorado em todo o continente africano. Se a rumba ainda é célebre na África, é graças a Papa Wemba, que com o grupo Zaïko Langa Langa lançou uma nova modalidade do ritmo, lânguida, mas ao mesmo tempo eletrizante.

O músico também se dedicou à música anglo-saxã no começo de sua carreira, quando seu nome artístico era Jules Presley. Multifacetado, ele migrou a outros ritmos africanos, como o soukouss e o ndomgolo. Antes de partir de vez para a rumba, Papa Wemba ainda se dedicou à world music.

O artista foi o fundador do selo e do grupo Viva la Musica, em 1977, com os qual lançou o seu primeiro sucesso, "Analengo", em 1980. Com "Maria Valencia" e "Yolele", símbolos da world music, a obra de Papa Wemba fez a volta do planeta.

Ele se tornou o segundo africano, depois de Tabu Ley Rochereau, a assinar com o famoso selo Real World, do britânico Peter Gabriel. Foi o próprio músico do grupo Genesis que propôs a Papa Wemba que o congolês abrisse seus shows.

O músico africano também se arriscou no cinema. Em 1987, logo que se instalou na França, atuou no filme "La vie est belle" ("A vida é bela", tradução livre), de Ngangura Dieudonné Mweze et Benoît Lamy. No longa, Papa Wemba interpreta Kourou, um rocambolesco compositor.

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