Especialista avalia impacto da política externa do governo Temer na África

Áudio 03:42
Professor Vagner Camilo Alves
Professor Vagner Camilo Alves @Jose Goncalves

 Vagner Camilo Alves é chefe de departamento no Instituto de Estudos Estratégicos (INEST), e leciona Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF). As recentes mudanças na política brasileira e a incidência na politica externa suscitam diversas interrogações, principalmente nas relações com a África.

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Jonuel Gonçalves, especial para a RFI

O chanceler interino, José Serra, anunciou a organização de uma conferência Brasil-África, seguindo o modelo usado por grandes potências como França, Estados Unidos, China e Japão. Ao mesmo tempo, o fechamento de várias embaixadas no continente está previsto nos cortes orçamentários. A política do Brasil para África tem vários componentes: históricos, culturais, econômicos e de segurança transatlântica.

O Professor Vagner Alves vê a possibilidade de redução de algumas representações diplomáticas mas considera as relações comerciais e de segurança tão fortes e essenciais que a sua diminuição é pouco provável. De fato, o Brasil tem um acordo de comércio preferencial com a União Aduaneira com África Austral (liderada pela África do Sul) enquanto os laços bilaterais com a Angola e Nigéria envolvem bastante comércio exterior e investimentos.

Cooperação militar inclui inclusão de cadetes africanos na Agulhas Negras

No tema segurança, o Professor Vagner sublinhou a cooperação militar, inclusive com inclusão de cadetes africanos na Academia Militar de Agulhas Negras (AMAN), com destaque para angolanos e namibianos. Em relação à cooperação universitária, que se traduz por um elevado número de estudantes africanos no Brasil, a diminuição é mais previsível na medida em que já há sérias restrições de verbas para as próprias entidades brasileiras de ensino.
 

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