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Brasil-África

"Tenho alunos de todas as classes sociais e cores", diz professor de capoeira em Moçambique

Áudio 07:04
Roda de capoeira no Centro Cultural Brasil-Moçambique.
Roda de capoeira no Centro Cultural Brasil-Moçambique. Reprodução Facebook
11 min

De São Salvador da Bahia de Todos os Santos, onde nasceu, veio o nome de batismo. Santos é o baiano que há dezesseis anos ensina capoeira a moçambicanos, em Maputo.

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Por Fábia Belém, correspondente da RFI em Moçambique

Ele aprendeu capoeira quando tinha uns quinze anos. Com o tempo, foi descobrindo o que diziam os toques do berimbau e o que é possível sentir e fazer numa roda de capoeira.

“Eu posso modificar movimentos, eu posso criar sequências, eu posso criar uma harmonia com uma pessoa que não me conhece e, ao mesmo tempo, receber informação que ela tem. E, tudo isso, em três, quatro minutos de capoeira”, explica.

Em 1999, Santos fazia parte da companhia baiana Bando de Teatro Olodum como ator e bailarino. Foi naquela época que recebeu o convite para vir trabalhar num projeto social, em Moçambique. Lembra-se até hoje do dia em que reencontrou a capoeira em terras africanas.

“Foi emocionante. Era um grupo, grupo Ginga de Maputo, que, na altura, era a mestre Marina que estava a direcionar o grupo. Ela, moçambicana, que aprendeu [capoeira] com mestres no Brasil e trouxe pra cá, implementou a capoeira em Moçambique”, lembra.

Com autorização da moçambicana e mestre Marina, o brasileiro Santos entrou na roda.

“Naquele momento eu me senti o mais importante do mundo. Eu acho que para qualquer capoeirista, você tá numa roda de capoeira, com um bom astral, uma boa música, uma coisa boa, um astral bom, você se sente Deus naquele momento”.

A capoeira regional do contramestre Santos

Santos ensina capoeira em Maputo há 16 anos. No Centro Cultural Brasil Moçambique, dar aulas três vezes por semana. Para os alunos, é o contramestre Santos. A turma é formada por homens e mulheres, crianças de 8 anos até adultos de 30 anos ou mais.

“Eu tenho ali alunos de todas as classes sociais, de todas as cores. Todos são moçambicanos. E é gratificante perceber que todo africano, todo moçambicano já tem a capoeira dentro dele. Ele só precisa ser despertado. Se você vai dar aulas na rua, você apanha crianças que já sabem fazer capoeira. Só precisam ser direcionadas.

A capoeira regional é a que o contramestre tem ensinado ao longo dos anos. Diz que “é mais ritmada, mais rápida. Por vezes, muitos saltos e por aí afora”.

A ponte entre Brasil e Moçambique

Casado com uma moçambicana e pai de uma menina, Santos já está há 17 anos em Maputo. O contramestre também trabalha como tatuador e personal trainer. Mas é nas rodas de capoeira onde se sente mais feliz. Diz que tem feito o que pode para promover o que chama de “troca” entre Moçambique e Brasil.
“Chego lá e levo alguns alunos moçambicanos, e levo com eles o quê? A dança tradicional daqui: ngalanga, o xigubo, a marrabenta. Então, é como se eu fizesse uma troca - eu tô lá, saio de lá pra cá, levo daqui pra lá. Eu me vejo, eu me sinto como uma ponte entre Brasil e Moçambique”, conclui.

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