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Brasil-África

Pobreza dificulta luta contra terrorismo, diz embaixadora do Brasil no Burkina Faso

Áudio 03:02
A embaixadora do Brasil no Burkina Faso, Regina Bittencourt.
A embaixadora do Brasil no Burkina Faso, Regina Bittencourt. Arquivo da Embaixada
6 min

A sensação de insegurança e o sentimento de tristeza persistem em Uagadugu, depois de um violento atentado no último domingo (13) em um restaurante frequentado por estrangeiros. Em entrevista à RFI, embaixadora do Brasil no Burkina Faso, Regina Bittencourt, falou da dificuldade da luta contra o terrorismo no país. 

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Fábia Belém, correspondente da RFI em Uagadugu

Segundo testemunhas, dois homens, em uma moto, abriram fogo contra as pessoas que estavam no terraço de um restaurante bastante frequentado por estrangeiros. Antes de serem abatidos pelas forças de segurança, os atiradores deixaram pelo menos 18 mortos - dez burkinabês e oito cidadãos da França, Canadá, Kuwait, Turquia, Líbano e Senegal. Outras vinte pessoas ficaram feridas.

A embaixadora do Brasil no Burkina Faso, Regina Bittencourt, conta que cerca de 50 brasileiros vivem no país. Deste número, 15 estão na capital. “Eu só pude tentar entrar em contato com eles na manhã seguinte ao atentado terrorista, e o fiz através da página do Facebook da embaixada, o 'Brasemb Uagadugu'. Eu mandei uma mensagem para todos os brasileiros, pedindo que eles confirmassem se estavam bem”, explicou a embaixadora.

Atentados terroristas têm acontecido em diversas cidades do mundo, lembra Bittencourt. Mas quando ocorre em países como Burkina Faso, ressalta, há um componente que deve ser levado em conta, “a falta de recursos". "Isso é inerente a um país que é um dos mais pobres do mundo”, lembra.

A falta de dinheiro equivale a sistemas de segurança frágeis ou quase inexistentes para combater o terrorismo no país. Isso permite, por exemplo, o avanço de grupos extremistas que se encontram no Sahel, faixa do território africano que se estende por quase uma dezena de países, inclusive Burkina. 

O ataque do último domingo ainda não foi reivindicado, mas a preocupação do governo é que os terroristas tenham vindo de um dos países vizinhos, como o Mali ou o Níger, aproveitando as fronteiras no deserto, difíceis de serem controladas. Foi o que aconteceu em janeiro do ano passado, quando um hotel e um café foram atacados por terroristas ligados à Al-Qaeda. No total, morreram 30 pessoas de 18 nacionalidades diferentes.

Vigilância e cautela como medidas de segurança

O presidente de Burkina Faso, Marc Kaboré, condenou o ataque de domingo e fez um pedido à população.“A luta contra o terrorismo é uma luta de longo termo. Portanto, apelo para a vigilância, solidariedade e unidade de toda a nação para enfrentar a covardia dos nossos adversários”, frisou.

Para a embaixadora do Brasil, é preciso que todos os brasileiros que vivem em Burkina Faso sejam cautelosos. “Tratem de evitar bares, restaurantes e locais frequentados, sobretudo, por estrangeiros. Nós, embaixadores, evitamos frequentar restaurantes e lugares populares, não só entre os burkinabês, mas, sobretudo, entre a comunidade estrangeira. São medidas que temos tomado para evitar ser vítima desse tipo de atentado.”

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