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Meio Ambiente

Entenda o ciclone que devastou Moçambique e Zimbábue

Áudio 07:35
Passagem do ciclone Idai por Moçambique.
Passagem do ciclone Idai por Moçambique. AFP PHOTO / UN WFP / DEBORAH NGUYEN
Por: Lúcia Müzell
13 min

Moçambique e Zimbábue contam os mortos da tragédia em que se transformou a passagem do ciclone Idai, na semana passada. Situada a oeste da bacia ciclônica do sudoeste do oceano Índico, a região está acostumada à ocorrência de fenômenos como este, porém os tufões raramente chegam a atingir a costa.

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O Idai é o ciclone mais forte a afetar Moçambique desde o Eline, que em 2000 matou mais de 800 pessoas. Desta vez, o fator surpresa foi determinante para a dimensão dos estragos, já que, ao longo dos anos, centenas de habitações foram construídas em zonas inundáveis de Beira, a segunda maior cidade do país. A metrópole, de 500 mil habitantes, ficou destruída. O número de mortos pode passar de mil.

“É uma região que tem ocorrência frequente de ciclones tropicais. O ciclone Idai teve categoria 3, ou seja, foi extremamente intenso, com ventos que chegaram a 200km/h”, explica a meteorologista Ludivine Oruba, especialista em ciclones no Latmos (Laboratório de Atmosferas, Meios e Observações Espaciais), em Paris. “A diferença é que ciclones desse tamanho raramente atingem a costa: desde 1970, foi o quarto dessa intensidade a chegar a Moçambique.”

Relação com as mudanças climáticas

Na temporada de 2018 e 2019, o Idai já é o sétimo ciclone que ocorre na região e há um oitavo em curso, o Savana, que deve passar sobre o oceano. Por essa razão, Oruba prefere não associar a violência do ciclone às mudanças climáticas. Ela adverte, entretanto, que a previsão dos climatologistas é de que os fenômenos extremos se repitam cada vez mais, nas próximas décadas.

“Se falamos em previsões climáticas, é perigoso concluirmos que a ocorrência desse fenômeno seja ligada às mudanças climáticas. Mas o que podemos dizer é que todos os modelos climáticos estabelecem que as mudanças do clima vão gerar ciclones cada vez mais poderosos”, indica a pesquisadora. “Os modelos não preveem necessariamente mais ciclones tropicais, mas sim com mais energia, portanto mais fortes, com chuvas mais intensas, ondas mais devastadoras.”

Dificuldades para a ajuda humanitária

A especialista observa que a passagem de ciclones tropicais nesta zona africana durante o verão é tão comum quanto os tufões na costa oeste americana – e tratam-se de fenômenos meteorológicos exatamente iguais. Porém, quando ocorrem nos Estados Unidos, eles recebem mais atenção e são melhor documentados.

As equipes de ajuda humanitária estão com dificuldades de chegar à região atingida, tomada pelas águas e o barro. O drama ocorre em dois dos países mais pobres do planeta. As imagens de sobreviventes aguardando resgate em cima das árvores, em meio às inundações, chocaram o mundo.

A organização Médicos Sem Fronteiras só conseguiu começar a atuar na terça-feira (19). As equipes de reforço encontraram hospitais danificados, sem telhado nem luz.

“O acesso à cidade está muito complicado desde o fim de semana. Nossa equipe só conseguiu chegar na terça. Nosso foco é visitar os hospitais, já que há urgência em atender os feridos e afetados”, relata Gwenola Seroux, diretora das missões de urgência da Médicos Sem Fronteiras França. “Vamos identificar os grupos de populações que tentam se proteger e ver como podemos levar alguma ajuda, principalmente água potável e equipamentos de proteção, lembrando que a chuva não parou em Moçambique. As famílias tentam se proteger em condições assustadoras, no meio das enchentes.

O Programa Alimentar Mundial, da ONU, estimou que entre 500 e 600 mil pessoas precisarão de ajuda após o Idai.

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