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Argentina/ditadura

Ex-policial argentino é extraditado da França para ser julgado por sumiço de jovem na ditadura

Beatriz Cantarini de Abriata, mãe do arquiteto desaparecido Hernan Abriata, que teria sido torturado pelo ex-policial argentino Mario Sandoval
Beatriz Cantarini de Abriata, mãe do arquiteto desaparecido Hernan Abriata, que teria sido torturado pelo ex-policial argentino Mario Sandoval DANIEL GARCIA / AFP
Texto por: RFI
3 min

O ex-policial argentino Mario Sandoval chegou nesta segunda-feira (16) a Buenos Aires, no início da tarde, em um voo comercial extraditado da França. Ele será julgado pelo desaparecimento de um jovem, em 1976, durante a ditadura.

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Sandoval, 66 anos, residia na França desde 1985 e foi requisitado pela justiça argentina em 2012. Ele é suspeito de participar de centenas de outros casos de tortura e morte durante o regime repressivo na Argentina (1976-1985)."Tudo correu como planejado", disse a advogada argentina Sophie Thonon-Wesfreid, após a partida de Sandoval para Buenos Aires na noite de domingo (15), na capital francesa.

O juiz federal argentino Sergio Torres solicitou sua extradição no âmbito do caso ESMA, que investiga cerca de 800 desaparecimentos na antiga Escola de Mecânica da Marinha, o maior centro de detenção clandestino durante a ditadura e por onde teriam passado cerca de 5.000 foram prisioneiros.

Sandoval será julgado pelo desaparecimento do estudante de arquitetura Hernán Abriata, que foi preso em uma operação liderada por Sandoval em sua casa em Buenos Aires, em outubro de 1976. De acordo com a esposa e os pais de Abriata, o jovem foi preso sob pretexto de um "procedimento de rotina". Testemunhos de sobreviventes indicaram à justiça que Abriata estava em cativeiro na ESMA.

A suspeita é de que Mario Sandoval tenha participado de mais de 500 assassinatos, torturas e sequestros durante a ditadura militar, mas a Justiça argentina se apoiou apenas no caso Abriata para pedir a extradição. Existem mais de dez testemunhos contra ele no caso.

Cidadania francesa em 1997

Na França, Sandoval esgotou os recursos em todas as instâncias para impedir sua extradição, incluindo uma apresentação no Tribunal Europeu de Direitos Humanos (CEDH), rejeitado na sexta-feira (13). Ele exilou-se na França após a queda da Junta em 1983 e obteve a cidadania francesa em 1997. Isso não impediu sua extradição, já que não era francês na época do desaparecimento do estudante.

Na França, Sandoval refez sua vida e chegou até mesmo a ser conselheiro do ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy. Na Argentina, onde a ditadura deixou 30.000 desaparecidos, mais de 3.000 pessoas são acusadas em processos por crimes contra a Humanidade desde a anulação de leis de anistia em 2003.

 

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