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Linha Direta

Começa julgamento de Harvey Weinstein por agressões sexuais

Áudio 04:25
O ex-produtor Harvey Weinstein, catalisador do movimento #MeToo, é julgado e, se considerado culpado, pode passar o resto da vida na prisão
O ex-produtor Harvey Weinstein, catalisador do movimento #MeToo, é julgado e, se considerado culpado, pode passar o resto da vida na prisão REUTERS/Lucas Jackson/File Photo
Por: Nathália Watkins
8 min

Dois anos depois de uma série de reportagens que detalharam alegações de assédio sexual e agressão protagonizadas Harvey Weinstein, começa nesta segunda-feira (6) o julgamento do ex-produtor de cinema na cidade de Nova York. Weinstein foi denunciado por assédio, agressão sexual e estupro por mais de 80 mulheres, por atos que teria praticado ao longo de 40 anos. Ele será julgado por cinco crimes sexuais.

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Nathalia Watkins, correspondente da RFI em Nova York

Entre as mulheres que denunciaram o produtor estão as atrizes Ashley Judd, Gwyneth Paltrow, Uma Thurman e Salma Hayek. Para muitos, o veredito contra Weinsten tem um significado que vai muito além dos crimes cometidos por ele. Um julgamento que promete marcar o debate público nas próximas semanas e condenar o ex-produtor a passar o resto de seus dias na cadeia.

Harvey Weinstein, de 67 anos, é co-fundador da Miramax e chegou a ser apelidado de “Deus de Hollywood” por Meryl Streep, tamanha era sua influência na indústria do cinema e da televisão. Ele produziu filmes como "Pulp Fiction", “O paciente inglês” e " Shakespeare Apaixonado", entre tantos outros que receberam mais de 300 indicações ao Oscar e 81 estatuetas.

Sua fortuna pessoal chegou a mais de U$ 200 milhões. As investigações publicadas em 2017 no The New York Times e na revista The New Yorker originaram um escândalo que acabou com sua carreira, seu casamento e sua reputação.

As denúncias contra ele deram origem ao movimento #MeToo, que levou milhares de mulheres a trazerem à tona abusos e agressões sexuais e derrubou dezenas de homens poderosos. Se considerado culpado, Weinstein será a segunda celebridade de peso condenada por crimes sexuais depois do comediante Bill Cosby, em 2018. Por isso, apesar de não ser televisionado, o julgamento é considerado histórico e será acompanhado de perto.

Duas mulheres e cinco crimes

Apesar de ter sido acusado por mais de 80 mulheres, apenas denúncias de agressão sexual de duas mulheres resultaram em processos criminais que serão tratados pela Corte. O primeiro é o estupro de uma mulher, cuja identidade é mantida em anonimato, em um quarto de hotel em Nova York em 2013.

O segundo caso trata de abuso sexual contra a ex-assistente de produção Mimi Haleyi em 2006. Haleyi afirma que Weinstein a obrigou a receber sexo oral enquanto estavam em seu apartamento em Nova York, apesar de ela se negar reiteradamente.

O ex-produtor nega as acusações de sexo não-consensual e está em liberdade após pagar uma fiança de U$ 1 milhão. Desde que as acusações foram feitas, Weinstein foi expulso da Academia de Cinema dos Estados Unidos e da própria empresa, a The Weinstein Company. Sua mulher o deixou e o ex-produtor internou-se em um centro de reabilitação para tratar a dependência ao sexo.

Grandes estrelas de Hollywood ficam de fora

O julgamento acontece na Suprema Corte do estado de Nova York, em Manhattan. O processo começa com a seleção do júri, no qual 12 jurados imparciais são selecionados para o restante do julgamento. Esta etapa deve durar duas semanas. Além das duas acusadoras, serão testemunhas a atriz Annabella Sciorra, que apareceu na série "A Família Soprano", e três outras mulheres cujas identidades são desconhecidas, mas foram autorizadas a testemunhar no julgamento.

Embora não seja esperada a presença de nenhuma das estrelas que acusaram Weinstein de assediá-las ou abusar delas, como Ashley Judd, Gwyneth Paltrow ou Angelina Jolie, algumas como Rosanna Arquette planejam estar presentes em algumas das audiências. Ao todo, espera-se que o julgamento dure entre seis e oito semanas.

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