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Argentina/FMI

Esquerda faz novas manifestações contra visita do FMI sobre reestruturação da dívida argentina

O ministro da Economia argentino, Martín Guzmán, será um dos negociadores com a missão do FMI, que chegou nesta quarta-feira (12) a Buenos Aires.
O ministro da Economia argentino, Martín Guzmán, será um dos negociadores com a missão do FMI, que chegou nesta quarta-feira (12) a Buenos Aires. REUTERS/Remo Casilli
Texto por: RFI
5 min

Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou nesta quarta-feira (12) à Argentina para definir a reestruturação da dívida do país. O reescalonamento é considerado indispensável pelo presidente Alberto Fernández, peronista de centro esquerda, que chegou há dois meses ao poder. Os partidos de esquerda voltam às ruas hoje para protestar contra a visita do FMI.

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Esta é a primeira missão do Fundo à Argentina desde que Fernández assumiu a presidência, em dezembro. O peronista substituiu o liberal Mauricio Macri, que assinou com o FMI, em 2018, um empréstimo de US$ 57 bilhões.

A missão é liderada pelo venezuelano Luis Cubeddu. “A visita será uma oportunidade para conhecer a estratégia do novo governo sobre a dívida argentina”, declarou um porta-voz do FMI, em Washington.

O presidente Fernández argumenta que a dívida é impagável, enquanto o país não recuperar o crescimento econômico. Por isso, propôs um adiamento dos pagamentos. A Argentina se encontra em recessão desde meados de 2018, com uma inflação anual de mais de 50%, forte desvalorização monetária e aumento da pobreza e do desemprego.

Partidos de esquerda pedem moratória

Os partidos de esquerda argentinos pedem a moratória da dívida. Na terça-feira, houve uma primeira manifestação em Buenos Aires contra as novas negociações com o FMI. "Não queremos que o dinheiro vá para o Fundo. Queremos que vá para um plano sério para ajudar os setores mais pobres", reclamou Monica Sulle, militante de esquerda, que participou do protesto.

Uma nova manifestação foi convocada para esta quarta-feira na capital para pedir a “suspensão do pagamento da dívida”.

Do montante acordado pelo FMI com Macri, a Argentina recebeu US$ 44 bilhões, já que Fernández renunciou às parcelas seguintes. Ao todo, o país tem que renegociar com as organizações multilaterais e com detentores de títulos privados US$ 195 bilhões, quantia que equivale a 57% de seu PIB.

Plano fiscal

Também nesta quarta-feira, o ministro da Economia, Martín Guzmán, apresentará seu plano fiscal ao Congresso.

"Com a reunião com o FMI, começaremos a ver qual é o programa econômico do governo. Os credores precisam conhecê-lo para saber qual é a possibilidade de pagamento da Argentina", disse à AFP o economista Hécor Rubini, da Universidade de Salvador.

Guzmán já teve algumas reuniões com funcionários do FMI, e Fernández viajou pela Europa para obter apoio para sua proposta. Até agora, o Fundo e o governo argentino se declararam satisfeitos com as trocas.

"O FMI mostra boa disposição, porque deseja cobrar e, em parte, também porque contribuiu para essa situação", considerou Rubini, referindo-se ao maior empréstimo já concedido na história do Fundo.

Argentina pede apoio do Brasil

Nesta quarta-feira, em visita a Brasília o chanceler argentino pediu o apoio do Brasil na negociação da dívida com o FMI. O pedido foi feito durante reunião de Felipe Solá com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Os dois se encontraram com o objetivo de aproximar as posições entre dois governos antagônicos.

"Pedimos aos nossos irmãos brasileiros que também nos apoiem da maneira que puderem junto ao FMI”, disse à imprensa o ministro das Relações Exteriores da Argentina, após o encontro.

Sobre a missão do Fundo que chegou hoje a Buenos Aires ele falou que ela "é o primeiro passo de uma etapa (...) Pedimos tempo para crescer e pagar, não voltaremos a cair em default como governo anterior argentino", explicou o chanceler.

A reunião de Solá e Araújo é o encontro de mais alto nível realizado até agora entre o governo peronista argentino e o brasileiro depois de meses de atrito diplomático. Ambos descreveram a reunião como "extremamente produtiva".

Solá será recebido pelo presidente Jair Bolsonaro, ainda nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, algo que pode abrir as portas para um futuro encontro entre os dois chefes de Estado. O chanceler argentino também disse que os dois governos compartilham a "intenção de instalar o Mercosul como uma marca atraente aos olhos do mundo" e defendeu que o bloco "deve fazer acordos com outros países para crescer".

"Vamos tentar não ser um obstáculo para a possibilidade de progresso", disse em referência ao acordo com a União Europeia, alcançado em junho e que ainda não foi ratificado pelos parlamentos dos países-membros. Durante a campanha eleitoral, Fernández expressou reticências sobre o acordo, mas no início de fevereiro, em uma reunião com a chanceler Angela Merkel em Berlim, Fernández pediu para "materializá-lo".

(Com informações da AFP)

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