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Weinstein/processo

Condenado por estupro e agressão sexual, ex-produtor de cinema Harvey Weinstein vai para a cadeia

Harvey Weinstein ficará em detenção provisória até a definição da pena, em 11 de março
Harvey Weinstein ficará em detenção provisória até a definição da pena, em 11 de março REUTERS/Lucas Jackson
Texto por: RFI
3 min

O ex-produtor de cinema Harvey Weinstein foi preso nesta segunda-feira (24) depois de ser declarado culpado de agressão sexual e estupro de duas mulheres. A Justiça americana, entretanto, o absolveu da acusação de “comportamento sexual predatório”. O veredito representa a primeira vitória parcial nos tribunais do movimemto #MeToo.

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Após quase um mês de julgamento e cinco dias de debates, o júri considerou Weinstein culpado de estupro em terceiro grau da ex-atriz Jessica Mann, em 2013, e de praticar sexo oral na ex-assistente de produção Mimi Haleyi, em 2006. Weinstein pode pegar até 25 anos de prisão, mas o tempo exato será determinado pelo juiz James Burke, que presidiu o julgamento, até o dia 11 de março. Weinstein aguardará a decisão atrás das grades.

O ex-produtor de 67 anos não foi considerado culpado das duas acusações mais graves, de comportamento sexual predatório e de estupro em primeiro grau. Por essa razão, ele não corre o risco de pegar prisão perpétua. Os jurados demoraram cinco dias para chegar a uma decisão por unanimidade, a condição necessária para pronunciar um veredito.

Eles tiveram que se concentrar no testemunho de três mulheres, entre as mais de 80 que acusaram Weinstein de assédio ou agressão sexual. Durante todo o processo, a defesa buscou tirar o crédito do testemunho das três mulheres. Eles mostraram uma série de e-mails mostrando que Mimi Haleyi e Jessica Mann mantiveram o contato com Weinsten por iniciativa própria, depois dos abusos. Mann teria até mesmo aceitado manter relações sexuais com o ex-produtor até 2016.

"Um estupro é um estupro", diz procurador

“Não era uma relação”, insistiu a procuradora Joan Illuzzi-Orbon durante o julgamento. “Jessica Mann era a boneca de pano de Harvey Weinstein”, disse. A atriz disse que aceitou o abuso por “medo”. Já Mimi Haleyi contou que teve relações com Weinstein duas semanas após estupro, sem resistir, para manter “uma relação profissional.”

A defesa usou esses fatos para argumentar que elas cediam aos caprichos do ex-produtor para obter uma oportunidade de atuar em Hollywood, mas não convenceu a procuradora. “Elas sacrificaram sua dignidade, sua intimidade, seu silêncio, na esperança de serem ouvidas”, disse Illuzzi-Orbon, lembrando que nenhuma delas pediu indenização.

A Justiça de Manhattan estimou que as seis mulheres que testemunharam contra Weinstein tinham "mudado o curso da história". “Um estupro é um estupro, seja ele cometido em uma rua sombria, ou por um parceiro durante uma relação íntima. É um estupro mesmo se não haja nenhuma prova material ou aconteceu há muito tempo”, disse o procurador de Nova York, Cyrus Vance, na saída do tribunal.

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