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Linha Direta

FMI nega US$ 5 bi à Venezuela onde coronavírus ameaça ampliar crise humanitária

Áudio 04:35
O governo brasileiro determinou o fechamento parcial da fronteira entre a Venezeuela e o Brasil para conter a propagação do Covid-19.
O governo brasileiro determinou o fechamento parcial da fronteira entre a Venezeuela e o Brasil para conter a propagação do Covid-19. BRUNO MANCINELLE / AFP
Por: Elianah Jorge

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pediu nesta terça-feira (17) ao Fundo Monetário Internacional (FMI) uma ajuda de US$ 5 bilhões para reforçar a luta contra o coronavírus no país. Mas o FMI negou a solicitação, alegando a falta de clareza "sobre o reconhecimento internacional do governo da Venezuela". Várias potências mundiais questionaram a legitimidade da reeleição de Maduro em 2018 e apoiam o autoproclamado presidente e líder da oposição Juan Guaidó. A chegada do coronavírus à Venezuela gera o temor de uma degradação do sistema de saúde e ameaça ampliar a grave crise humanitária que afeta o país.

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Correspondente da RFI na Venezuela

Subiu para 36 o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus na Venezuela, de acordo com a informação dada pela vice-presidente Delcy Rodríguez na tarde desta terça-feira. Mas foi o pedido de empréstimo de cinco bilhões de dólares feito pelo governo de Nicolás Maduro ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que chamou a atenção. Segundo o presidente, o financiamento seria destinado a combater casos do Covid-19.

A economia venezuelana registra pelo sexto ano consecutivo a queda de seu Produto Interno Bruto (PIB), além de enfrentar sanções dos Estados Unidos e a forte queda mundial do preço do barril de petróleo.

Nicolás Maduro teme possíveis reações populares e o dinheiro ajudaria na compra dos alimentos subsidiados pelo governo caso a quarentena precise ser ampliada.

As famosas caixas CLAP (sigla local para Comitês Locais de Abastecimento e Produção), vendidas a preços irrisórios, representam uma tranquilidade para quem as recebe, sobretudo agora que o país está angustiado diante da pandemia mundial, mas a doença ainda não chegou nas regiões mais pobres.

A Venezuela está parada. Muitas pessoas estão sem trabalhar e por isso sem dinheiro para comprar comida e produtos de cuidados pessoais. A situação pode se transformar nos próximos dias em um barril de pólvora para a gestão de Maduro. A ordem dada pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, é manter em funcionamento a economia e a produção da Venezuela.

Fronteira Brasil – Venezuela

O fechamento parcial da fronteira entre Brasil e Venezuela, publicado nesta quarta-feira (18) no Diário Oficial da União, busca evitar a propagação do Covid-19 e ao mesmo tempo manter a circulação de mercadorias entre ambos os países.

De acordo com o presidente Jair Bolsonaro, Roraima depende das exportações à Venezuela e sem este fluxo poderia haver um baque na economia do estado brasileiro.

Já do lado venezuelano, apesar de o problema atual ser a alta inflação, os produtos vindos do Brasil ajudam a evitar a escassez – como a que viveu o país entre 2014-2018.

A população também está aflita com a precariedade no abastecimento de água, o que impede a higienização das mãos para evitar o contágio pelo coronavírus. Falta água até mesmo em alguns dos 46 hospitais designados pelo governo para atender os casos de Covid-19.

É obrigatório cobrir o rosto

O governo determinou que apenas aqueles que trabalham em setores primordiais, como o da saúde, de alimentos, transporte urbano, entre outros, podem circular pelas cidades ou entrar no metrô de Caracas - o mais barato transporte público da capital venezuelana. As demais pessoas devem mostrar algum documento que justifique a presença delas nas ruas. Mas todos, sem exceção, devem usar máscaras de proteção.

Muitos não têm dinheiro para comprar este acessório, que chega a custar cerca de US$ 5. O salário mínimo venezuelano é de cerca de US$ 3. Alguns recorrem à criatividade para cobrir nariz e boca, seja com lenços, fraldas de pano ou com o que conseguir.

Funcionários de segurança pública fazem patrulhamento ostensivo e impedem a circulação de pessoas que estejam com o rosto descoberto. Aglomerações também são dispersas. Nesta terça-feira, até mesmo funcionários das Forças de Ações Especiais (FAES), que são apontados como um grupo de extermínio, usaram veículos equipados com megafones e deram ordens para que as pessoas fossem para suas casas. A mesma cena se repetiu em diversos pontos do país com diferentes forças de segurança pública.

Guaidó e o coronavírus

Juan Guaidó, que para muitos venezuelanos é o verdadeiro presidente e é apoiado por dezenas de países, fez anúncios alertando a população sobre os cuidados contra o novo coronavírus. Ele chegou a designar uma equipe médica para monitorar os avanços da doença na Venezuela.

Os cidadãos do país carente de recursos médicos adequados para combater uma pandemia estão em pânico e o discurso político do opositor ficou em segundo plano. A popularidade de Guidó já vinha caindo e agora a atenção da população está voltada para a temática da saúde. Vamos ver se a força do opositor resiste ao turbilhão causado pelo Covid-19.

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