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Linha Direta

Venezuela: escassez de gasolina e filas de mais 8 horas nos postos dificultam combate ao coronavirus

Áudio 04:40
Fila para abastecer em um posto de gasolina em Caracas.
Fila para abastecer em um posto de gasolina em Caracas. REUTERS - STRINGER
Por: Elianah Jorge
10 min

A Venezuela tem 143 casos confirmados da Covid-19. A informação foi dada na noite desta terça-feira (31) por Nicolás Maduro. O presidente fez o anúncio durante um Conselho de Estado onde estava presente Luis Parra, o político que é apontado pelo chavismo como o presidente de fato da Assembleia Legislativa. Por sua vez, a população busca se adaptar à determinação estatal de manter a quarentena, iniciada há quinze dias, em um país onde a população enfrenta a falta d’água e também a escassez de gasolina.

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Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas,

Os estabelecimentos comerciais funcionam apenas dentro do horário permitido. Já os cidadãos obrigatoriamente precisam usar máscaras e luvas. Porém em áreas populares é possível ver pessoas andando juntas ou fazendo fila sem respeitar a regra do distanciamento mínimo.

Até o momento três pessoas morreram em decorrência do coronavírus na Venezuela.  

Escassez de gasolina

Mas além do medo de contrair o coronavírus, o venezuelano está preocupado com a possível volta da escassez - que assolou o país entre 2014 e 2018.

Após uma corrida às compras registrada após o anúncio dos primeiros casos da Covid-19 na Venezuela, houve diminuição na reposição de produtos. Grande parte deste problema é causado pela escassez de gasolina.

Falta combustível em boa parte deste país, que é sócio-fundador da Organização de Países Produtores de Petróleo (OPEP). Abastecer o carro em Caracas significa passar mais de oito horas na fila. No interior a situação é ainda mais grave. Há lugares onde dezenas de postos de combustíveis estão fechados. Em outros, apenas integrantes das forças de segurança do governo têm direito a encher o tanque.

Sem estoque de gasolina, a Venezuela depende da importação do combustível para manter em funcionamento setores fundamentais, como o da saúde e o de alimentação.

Produtores de alimentos garantem que é impossível abastecer o país caso persista a falta de gasolina. A escassez de combustível também representa risco aos que precisam de atendimento médico, sobretudo aos transplantados e aos pacientes de hemodiálise.

Até mesmo os médicos precisam enfrentar horas de fila e mostrar o comprovante de trabalho para abastecer seus meios de transporte. De acordo com a ONG Provea, 103 organizações protestaram em prol dos direitos dos trabalhadores da área da saúde.

Julio Borges, político opositor exilado na Colômbia, denunciou pelas redes sociais que a Venezuela recentemente enviou à Cuba quatro navios carregados com diesel.

Presos em festa clandestina

Apesar das determinações feitas pelo governo bolivariano para conter o avanço do coronavírus, na noite desta segunda-feira (30)  18 pessoas foram presas por participarem de uma festa clandestina em um bairro de classe média alta em Caracas. Após avaliação médica, o exame de pelo menos duas dessas pessoas deu positivo para a Covid-19.

De acordo com o procurador geral, Tarek William Saab, elas são acusadas de violar o decreto presidencial de quarentena, de alteração da ordem pública e de resistir à autoridade.   

Hotel e álcool

Entre os esforços para conter o avanço da Covid-19, um hotel de Caracas disponibilizou suas instalações para receber pessoas em isolamento preventivo. Já a uma das destilarias do país decidiu interromper a tradicional produção de rum para elaborar álcool antisséptico. O produto será vendido a preços acessíveis à população.

Washington defende novas eleições

Os Estados Unidos afirmaram nesta terça-feira que é bem-vinda a convocação de novas eleições presidenciais sem que o opositor Juan Guaidó ou o presidente Nicolás Maduro sejam candidatos.

No entanto, o chanceler venezuelano Jorge Arreza rebateu a declaração dos Estados Unidos ao afirmar que “as decisões sobre a Venezuela são tomadas dentro da Venezuela” e que “o governo norte-americano perde seu tempo ao propor uma transição política”.

Washington ofereceu há poucos dias um prêmio de US$15 milhões a quem ajudar a capturar Nicolás Maduro. O chefe de Estado venezuelano  é acusado pelos Estados Unidos de liderar um cartel que fomenta o tráfico de drogas e de financiar o terrorismo internacional.

Guerra de onomatopeias

Desde que entrou para a lista de procurados, Nicolás Maduro vem apertando o cerco aos opositores. Ele anunciou a volta da “operação tuntum”, em referência à onomatopeia similar ao som de quando batem à porta.

Ontem a companheira de um assistente de Juan Guaidó foi retirada arbitrariamente de casa, agredida e abandonada em uma das principais vias da capital venezuelana.

Através das redes sociais, o líder opositor Juan Guaidó também recorreu à onomatopeia “tic-tac”, imitando os sons do relógio, sugerindo que o tempo de Nicolás Maduro no poder está chegando ao fim.

O procurador geral da Venezuela, Tarek Willian Saab, informou que Juan Guaidó deve compareçer nesta quinta-feira (2) ao Ministério Público onde há uma investigação aberta contra o político opositor.

 

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