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Número de vítimas do coronavirus pode ser multiplicado por seis no Equador

Agentes funerários aguardam do lado de fora do hospital Los Ceibos de Guayaquil, epicentro da pandemia de coroanvírus no Equador.
Agentes funerários aguardam do lado de fora do hospital Los Ceibos de Guayaquil, epicentro da pandemia de coroanvírus no Equador. REUTERS - SANTIAGO ARCOS
Texto por: RFI
2 min

A situação sanitária no Equador, o país mais atingido pela epidemia de coronavírus na América do Sul, é dramática e pode piorar muito nos próximos dias. Na quinta-feira (16), a ministra do Interior María Paula Romo anunciava um balanço de 403 mortos confirmados e 632 suspeitos. Mas, em poucas horas, o saldo já estava defasado.

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Por Eric Samson, correspondente da RFI em Quito

As mortes triplicaram nos últimos 15 dias na província de Guayas e em sua capital, Guayaquil, o epicentro da pandemia do novo coronavírus no Equador.

Jorge Wated dirige a força-tarefa criada pelo governo equatoriano para recuperar mortos na capital econômica do país. Cerca de 700 pessoas já foram enterradas na região e outros 700 corpos serão sepultados nos próximos dias.

A taxa de mortalidade acima do normal é assustadora. “Ao analisar todos os dados, de hospitais e dos cartórios, chegamos a 6.703 mortos nas duas primeiras semanas de abril em Guayaquil e sua região. A média mensal local de óbitos é normalmente de 2.000, isto é, 1.000 a cada 15 dias. Conclusão: em duas semanas tivemos 5.700 mortes a mais”, revela Wated.

A Covid-19 não é a única causa de todas as mortes, mas a pandemia é a única explicação para a grande taxa de mortalidade. A gravidade da crise é ilustrada pelas imagens de corpos abandonados nas ruas de Guayaquil. Guayas concentra 70% dos mais de 8.200 casos de coronavírus registrados até esta quinta-feira no Equador, incluindo 403 mortos.

Na cidade portuária, a mais populosa do país com 2,7 milhões de habitantes, muitas pessoas morreram esperando atendimento em hospitais ou em suas casas. Ao colapso do sistema de saúde seguiu-se o do sistema funerário, levando famílias a passar vários dias com os corpos em casa antes de o governo ativar uma força militar e policial para recolher os cadáveres.

Lei Humanitária

Para lutar contra a epidemia, o presidente Lenín Moreno decidiu reduzir pela metade o seu salário e de todo o governo equatoriano. O chefe de Estado também enviou nessa quinta-feira à Assembleia o projeto de uma lei Humanitária com o aumento dos impostos.

O presidente equatoriano defende que essa receita suplementar permitirá ao governo “ajudar mais de dois milhões de famílias que receberão um cheque de US$ 60 por mês. São famílias de camelôs, cabeleireiros, jardineiros, etc..., que perderam a sua renda diária”, explicou.

Mesmo que a taxa de contaminação do coronavírus tenha caído nos últimos dias para 4,4%, o Equador ainda não realiza um número suficiente de testes para ter um panorama real de sua situação sanitária. Há dez dias, o índice de contágio era de 28,1%. Lenín Moreno decretou 15 dias de luto nacional em apoio às famílias das vítimas da Covid-19.

 

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