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Protestos por morte de negro se multiplicam nos EUA, apesar de prisão de policial

O movimento Black Lives Matter lidera as manifestações nos Estados Unidos pedindo justiça pela morte de George Floyd.
O movimento Black Lives Matter lidera as manifestações nos Estados Unidos pedindo justiça pela morte de George Floyd. Kerem Yucel / AFP
Texto por: RFI
3 min

Os protestos pela morte de um negro se multiplicam nos Estados Unidos. A prisão e a denúncia por homicídio culposo do policial responsável pela morte de George Floyd na sexta-feira (29) não foram suficientes para conter a revolta. Em Minneapolis, local do drama, o prefeito decretou toque de recolher, mas a cidade teve sua quarta noite de protestos.

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Os 500 soldados da Guarda Nacional mobilizados em Minneapolis não conseguiram conter os atos de violência. A manifestação começou pacificamente em memória de George Floyd, de 46 anos, morto na segunda-feira (25). A violenta prisão e morte sob custódia do ex-segurança, flagrada em um vídeo que viralizou na internet, reacendeu a discussão sobre violência policial e racismo no país. 

Milhares de pessoas se reuniram em frente ao mausoléu improvisado no local onde Floyd foi morto, relata o enviado especial da RFI Eric de Salve. Os participantes gritavam palavras de ordem como “No Justice, No Peace” (Sem justiça, sem paz) e pregavam a continuidade dos protestos. O movimento Black Lives Matter (BLM, Vidas Negras Importam) lidera a contestação. Uma militante do movimento, que participava do protesto, entrevistada pela RFI, disse que “neste momento, os negros e seus aliados estão em guerra. É impossível resolver essa situação pacificamente enquanto os quatro policiais envolvidos não forem detidos”.

Na sexta-feira, Derek Chauvin, o policial que aparece no vídeo pressionando o pescoço de Floyd com o joelho, foi detido e acusado por homicídio culposo. Os manifestantes e a família do ex-segurança querem que os outros três policiais que aparecem no vídeo também sejam presos. Os familiares de Floyd pedem ainda que Chauvin seja indiciado por “homicídio doloso, com premeditação”.

Para enfrentar a escalada da violência, reforços militares serão enviados a Minneapolis e à cidade vizinha, Saint-Paul, neste sábado (30).

Manifestações em outras cidades

Como em várias outras cidades americanas, centenas de pessoas se manifestaram nessa sexta-feira nas imediações da Casa Branca, em Washington, em um clima de tensão. O presidente Donald Trump estava na sede do executivo durante o protesto. Os manifestantes levavam cartazes com dizeres como "Parem de nos matar" e pediam justiça pela morte de George Floyd. Os protestos do lado de fora da Casa Branca foram desviados e os manifestantes seguiram caminhando pelas ruas de Washington até o Capitólio, sede do Congresso.

Em Nova York, centenas de pessoas participaram de três manifestações, apesar do confinamento em vigor na cidade, informa a correspondente da RFI Loubna Anaki. “Sou negro e tenho o direito de viver” gritava a multidão que denunciava a violência policial contra a comunidade negra. “Estamos no meio de uma pandemia, mas não podemos ficar de braços cruzados e autorizar pessoas a violarem nosso direito à justiça”, declarou uma manifestante à RFI. No Brooklyn houve confrontos com a polícia e dezenas de pessoas foram detidas.

Protestos também ocorreram em Dallas, Houston, cidade natal do ex-segurança morto, Las Vegas, Des Moines, Memphis e Portland. Em Atlanta, carros de polícia foram incendiados.

Donald Trump, que publicou tuítes polêmicos denunciando os “saqueadores” de Minneapolis, anunciou nessa sexta-feira ter se encontrado com a família de Floyd e disse que ela tem “direito à justiça”.

A emoção suscitada pela morte do homem negro ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos. Pedidos de justiça se multiplicam nas redes sociais de vários países. O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, condenou em um comunicado a morte de George Floyd e todas as práticas discriminatórias nos Estados Unidos.

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