EUA: chefe da polícia de Atlanta renuncia após morte de homem negro

A polícia detém manifestantes por bloquear o tráfego durante uma manifestação contra a desigualdade racial e a mata Rayshard Brooks, em Atlanta, Geórgia, EUA, 13 de junho de 2020.
A polícia detém manifestantes por bloquear o tráfego durante uma manifestação contra a desigualdade racial e a mata Rayshard Brooks, em Atlanta, Geórgia, EUA, 13 de junho de 2020. REUTERS - ELIJAH NOUVELAGE

A chefe da polícia de Atlanta, Erika Shields, renunciou depois que um policial matou um homem negro durante uma detenção, anunciou o prefeito da cidade neste sábado (13). O novo caso incita uma nova onda de protestos contra o racismo e a brutalidade policial.

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Imagens da mídia local mostraram centenas de manifestantes nas ruas de Atlanta no sábado (13) e um incêndio em um restaurante onde Rayshard Brooks, de 27 anos, foi morto.

O policial que atirou em Brooks foi demitido e identificado pela polícia de Atlanta como Garrett Rolfe. O segundo oficial foi colocado em serviço administrativo, de acordo com a ABC News.

Neste domingo (14), o prefeito Keisha Lance Bottoms disse que Shields, com mais de duas décadas de experiência na polícia, "se ofereceu para se afastar imediatamente".

Revoltados, os manifestantes tomaram as ruas no sábado. Um grupo bloqueou uma estrada perto do restaurante onde Brooks foi morto e enfrentou a polícia. Dezenas de pessoas foram presas, segundo a polícia de Atlanta citada pela CNN.

A nova agitação ocorre quando os Estados Unidos enfrentam um acerto de contas histórico sobre o racismo sistêmico, com grandes protestos desencadeados pela morte de George Floyd em 25 de maio. Ele morreu depois que um policial branco de Minneapolis o asfixiou por quase nove minutos.

Os protestos que se espalharam primeiro pelo país e depois pelo mundo e incitaram um debate sobre os legados da escravidão, colonialismo e violência branca contra pessoas negras, bem como a brutalidade da polícia.

Caso Brooks

Os funcionários do restaurante ligaram para a polícia na noite de sexta-feira (12) para reclamar que Brooks estava dormindo em seu carro e bloqueando outros clientes nas instalações, informou um relatório oficial da polícia.

O jovem estava alcoolizado e resistiu quando os policiais tentaram prendê-lo, indicou o Gabinete de Investigação da Geórgia (GBI).O vídeo das câmeras de segurança mostrou que, durante confronto físico com os policiais, Brooks conseguiu pegar um dos tasers da polícia e tentou fugir do local, afirmou o relatório.

Segundo o documento, os policiais perseguiram Brooks a pé. Durante a ação, o jovem apontou o taser para os oficiais. "O policial disparou sua arma, atingindo Brooks", diz o relatório.

Brooks foi levado ao hospital, mas morreu após a cirurgia.

Força desproporcional

Um advogado da família do jovem disse que uma força desproporcional foi usada no confronto. "Na Geórgia, um taser não é uma arma mortal - essa é a lei", disse L. Chris Stewart a repórteres. "Acho que o apoio chegou em dois minutos. Ele teria sido preso e preso. Por que você teve que matá-lo?", questionou.

"[O policial] tinha outras opções além de atirar em um homem pelas costas", afirmou o advogado. Stewart acrescentou que Brooks tem quatro filhos e comemorou o aniversário de sua filha de oito anos na sexta-feira (12).

Sua morte é a 48º incidente envolvendo um oficial que o FBI foi solicitado a investigar este ano, segundo o jornal local Atlanta Journal-Constitution. Quinze desses incidentes foram fatais.

(Com informações da AFP)

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