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Decreto de reforma da polícia de Trump não atende todas as reivindicações de movimento antirracista

O presidente americano Donald Trump.
O presidente americano Donald Trump. REUTERS/Leah Millis
Texto por: RFI
3 min

A expectativa dos ativistas que manifestam há várias semanas contra a violência policial e o racismo nos Estados Unidos era grande. Donald Trump assinou nesta terça-feira (16) o decreto estabelecendo uma reforma das forças de ordem para tentar responder ao movimento antirracista, mas a proposta é muito aquém das reivindicações dos manifestantes.

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O presidente americano assinou o decreto após encontrar as famílias de vítimas de violência policial ou racista. O texto inclui a proibição da polêmica técnica de estrangulamento, conhecida como “mata-leão”, no momento das detenções. Mas os agentes poderão utilizá-la se "a vida de um policial estiver em perigo", informou o presidente. Ele também "encoraja" as milhares de unidades policiais americanas a adotar "códigos de conduta profissional elevados", acrescentou Trump no jardim da Casa Branca.

Trump espera com o decreto oferecer "um futuro seguro para os americanos de todas as raças, religiões e crenças". Diante de representantes de seu governo, da polícia e de parlamentares republicanos, ele reiterou sua vontade de restaurar a "lei e a ordem", expressão que ele martela desde o início da onda de manifestações. O presidente americano ressaltou ainda que não é incompatível defender os policiais "corajosos" e, ao mesmo tempo, fazer com que as famílias das vítimas tenham justiça.

"Sem polícia, temos caos"

"Os americanos conhecem a verdade. Sem polícia, temos caos; sem direito, anarquia; e sem segurança, catástrofe", lançou o republicano. Trump salientou que é categoricamente contra iniciativas "radicais" para desmantelar os serviços de polícia, como a anunciada em Minneapolis.

O decreto presidencial ordena que as verbas federais sejam reservadas às unidades de polícia que respeitaram, segundo avaliação de organismos independentes, "normas elevadas de conduta na formação sobre o uso da força e de técnicas de detenção", detalhou. O texto prevê ainda fundos para "apoiar os policiais" a enfrentar sem-casa, pessoas com problemas psíquicos ou viciados. Trabalhadores sociais também serão financiados para ajudar os agentes a administrar esses "problemas complexos".

Por fim, Donald Trump pediu que o Congresso chegue a um acordo sobre as medidas suplementares para a reforma da polícia. Mas um compromisso entre republicanos e democratas parece distante. Atendendo as reivindicações do movimento antirracista, os democratas, que são maioria na Câmara dos Deputados, incluíram em um projeto de lei a proibição pura e simplesmente da técnica de estrangulamento pelas forças de ordem.

As medidas decretadas pelo presidente não atendem todas as reivindicações dos manifestantes que protestam nas ruas de várias cidades americanas desde a morte de George Floyd, asfixiado por um policial branco em 25 de maio em Minneapolis. Além da interdição do mata-leão, o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), iniciador dos protestos, pede, ao contrário do que propôs Trump, a redução das verbas para a polícia.

 

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