Acessar o conteúdo principal

Bolívia: 36 populações indígenas atingidas pela Covid-19 e ignoradas pelas autoridades

Os serviços de atendimento aos doentes de coronavírus estão quase saturados na Bolívia.
Os serviços de atendimento aos doentes de coronavírus estão quase saturados na Bolívia. Manuel Claure/Reuters
Texto por: RFI
3 min

A edição desta quarta-feira (22) do jornal Le Figaro traz uma reportagem sobre a situação calamitosa de povos indígenas na Bolívia, ameaçados pela pandemia e pela indiferença do governo.

Publicidade

“Nós nos sentimos abandonados, nós os Mojeno”, diz Julia Molina à correspondente do diário francês. “Desde o início da epidemia, ninguém veio até aqui, nem as autoridades locais ou o governo central. Ninguém. Eles não ligam para as nossas necessidades”, acrescenta.

Julia vive no Tipnis, um parque natural protegido, em plena região central da Bolívia, a várias horas do primeiro centro urbano, conta Le Figaro. Os Mojeno são um dos 36 povos reconhecidos pela Constituição de Estado plurinacional da Bolívia, que é o nome oficial do país.

Mas o jornal observa que apesar de reconhecer as várias populações, línguas e costumes, esses indígenas têm o sentimento de serem “cidadãos de segunda classe”. Não há testes para confirmação da doença. “Os casos que parecem uma gripe comum se multiplicam pelos vilarejos e as pessoas nunca saberão se estão contaminadas”, diz a reportagem.

Para Mirna Cunningham, que dirige a ONG Filac, Fundo para o Desenvolvimento dos povos indígenas da América Latina e Caribe, a pandemia “só faz piorar uma situação antiga. Tradicionalmente são pessoas ignoradas. Elas têm pouco acesso aos serviços básicos do Estado”, explica.

Migrações para a miséria da cidade

Essas comunidades indígenas, ou povos autóctones, são comunidades rurais distantes dos centros de decisões ou de comunidades amazônicas em isolamento voluntário. Elas estão sendo expulsas de seus territórios e passam a viver nas cidades, geralmente em estado de miséria, diz Le Figaro.

Na região de Beni, primeira área atingida pelo coronavírus, vivem 18 das 36 nações reconhecidas. “O Estado abandonou a área”, afirma o sociólogo Martin Torrico. Ele explica ao jornal francês que, como os serviços nacionais de saúde ficaram logo esgotados, os trabalhadores da saúde foram chamados aos centros urbanos e as áreas rurais ficaram vazias.

Os indígenas tiveram que de organizar sozinhos, de maneira precária, constata a reportagem. Eles erguem barreiras e barricadas em torno de suas comunidades e usam a medicina tradicional. Para especialistas, a medicina tradicional é impotente diante do coronavírus, que já matou oficialmente 73 pessoas, com 792 casos confirmados entre os indígenas.

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.