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Linha Direta

EUA: Flórida tem recorde de mortes por Covid-19

Áudio 07:03
Testes realizados na modalidade drive-thru, em Miami, Flórida
Testes realizados na modalidade drive-thru, em Miami, Flórida AP - David Santiago
Por: Ligia Hougland

O estado americano da Flórida está passando por um período difícil esta semana, registrando um número recorde de mais de 200 mortes pela Covid-19, apenas na quarta-feira (29). O estado governado pelo republicano Ron DeSantis não adotou, logo no início da pandemia nos Estados Unidos, medidas rígidas para conter a disseminação do vírus e, ao contrário de estados como Nova York, New Jersey e Washington, parecia ter conseguido escapar do pior. Mas agora o cenário está gradualmente se tornando mais preocupante.

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Lígia Hougland, correspondente da RFI em Washington

Nesta semana, a Flórida já teve dois dias recordes em números de mortes pela Covid-19. Na terça (28), foram registradas 191 mortes e na quarta (29), o número, pela primeira vez, ficou acima de 200. As 217 novas mortes incluem não apenas residentes, como também pessoas que visitam o ensolarado estado - tão popular com os brasileiros que vivem nos EUA ou turistas.

Desde o início da pandemia, a Flórida já teve cerca de 451.000 casos confirmados do vírus, ficando atrás, apenas, da Califórnia (cerca de 487.000). Até agora, o estado responde por mais de 10% dos casos de Covid-19, com mais de 6.300 mortes. O número de mortes registrado nessa quarta não inclui, necessariamente, mortes que ocorreram nas últimas 24 horas.

A semana que começou mal para a Flórida deve, pelo menos no curto prazo, ser seguida de ainda mais más notícias para o estado. Uma das queixas mais comuns dos residentes da Flórida é o sistema de saúde do estado que deixa a desejar. E outro fator negativo é que esse é um dos estados americanos com o maior número de pessoas sem cobertura de seguro de saúde.

Hospitais sobrecarregados

Até agora, 51 hospitais da Flórida estão com necessidade de atendimento além da sua capacidade em termos de leitos em unidades de tratamento intensivo (UTI). E o acesso à UTI é vital para os pacientes que apresentam os casos mais graves da Covid-19. A Flórida conta com um total de cerca de 1.000 leitos de UTI disponíveis para tratar pacientes infectados pelo coronavírus. Desde que o estado começou a reabrir, no início de maio, o cenário tem piorado.

E as más notícias não devem ser limitar à saúde, já que o estado que, em grande parte, depende da indústria do turismo, deve ter sua economia bastante prejudicada.

Parques vazios

Apesar de estarem novamente abertos ao público, os parques estão ainda relativamente vazios. Entre outros fatores, como o número significativamente menor de turistas - principalmente estrangeiros -, o verão na Flórida é impiedoso e as pessoas desanimam de circular por parques usando máscaras. O uso do equipamento de proteção é uma exigência dos próprios parques, pois o governador do estado não cedeu à pressão para instituir uma ordem de uso de máscara em locais públicos.

A taxa de desemprego no estado registrada para o mês de junho foi de 10,4%. A região de Orlando, onde se encontram grandes parques, como Disneyworld e Universal Studios, que empregam muitas pessoas de classes sociais menos privilegiadas e que vivem de salários mais baixos, apresentou, em junho, uma taxa de desemprego de 16, 5%.  

Aluguéis atrasados

Na noite de quarta (29), o governador DeSantis prolongou até 1o de setembro uma moratória para que as pessoas não sejam despejadas nem percam suas moradias por não poderem fazer pagamentos de aluguel ou da casa própria.  Isso vai impedir que milhares de residentes da Flórida fiquem sem teto, uma vez que os donos de propriedades para aluguel já estavam entrando com ações de despejo contra os inquilinos incapazes de pagar. Mais de um terço dos adultos do estado não conseguiram pagar por sua moradia no mês de junho ou não conseguiriam em julho, de acordo com dados do censo americano.

Eleições

A Flórida é um estado decisivo para as eleições presidenciais nos Estados Unidos. A última vez que um republicano chegou à Casa Branca sem contar com a Flórida foi em 1924, com Calvin Coolidge. E o último presidente democrata eleito sem levar a Flórida foi Bill Clinton, em 1992.

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump afirmou que está liderando as pesquisas na Flórida. Mas, se isso é verdade, os dados vêm de pesquisas internas do partido republicano. Nas pesquisas independentes, o democrata Joe Biden tem estado sempre na frente. No entanto, recentemente, a disputa está ficando mais parelha, com Biden tendo uma vantagem de cerca de 3%.

O governador da Flórida é um aliado de Trump e, portanto, o desempenho do estado em relação à pandemia pode ter um impacto significativo sobre os eleitores. No início da pandemia nos Estados Unidos, os republicanos se vangloriavam que os estados governados pelo seu partido, como Arizona e Texas, além da Flórida, estavam lidando melhor com a crise do que os estados governados pelos seus rivais, como Nova York, New Jersey e Washington. Mas agora o jogo virou, e os democratas estão, sem dúvida, dando destaque para os números cada vez mais altos de casos da Covid-19 nos estados republicanos.

O governador DeSantis, por sua vez, está dando especial atenção às casas de repouso para idosos, pois eles representam cerca de 19% da população da Flórida. Ao focar em evitar que esse grupo de alto risco seja contaminado, DeSantis aproveita para fazer um contraste com o desempenho do seu arqui-inimigo, Andrew Cuomo, o governador de Nova York, onde cerca de 40% das vítimas das mais de 32 mil mortes pela Covid-19 no estado moravam em asilos.

 

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