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Convenção democrata testa capacidade da chapa Biden e Harris de convencer eleitorado mais à esquerda

Joe Biden e sua companheira de chapa, Kamala Harris (à esquerda).
Joe Biden e sua companheira de chapa, Kamala Harris (à esquerda). AFP/File
Texto por: RFI
5 min

As convenções dos partidos Democrata e Republicano nesta semana nos Estados Unidos, a pouco mais de dois meses da eleição presidencial de 3 de novembro, ganham as manchetes dos jornais franceses nesta segunda-feira (17). Para a imprensa francesa, a batalha para derrotar Donald Trump será protagonizada no voto por correspondência e na capacidade de Joe Biden e Kamala Harris de conseguirem convencer a ala mais à esquerda do partido a participar do pleito.

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Por causa da epidemia do coronavírus, as convenções partidárias, que costumam mobilizar delegados e eleitores, foram reduzidas a debates e discursos online, com pouquíssimos eventos presenciais. A convenção democrata, de hoje a quinta-feira (20) em Milwaukee, no estado de Wisconsin, acontece sem a presença de Joe Biden, que faz campanha desde março em sua casa, no Delaware.

Com 8,5 pontos de vantagem sobre Donald Trump na média das pesquisas nacionais, Biden fará um discurso na quinta-feira, quando será oficialmente nomeado pelos quase 4.000 delegados eleitos nas primárias. A carismática candidata à vice na chapa, Kamala Harris, discursará na quarta-feira (19) e deve se dirigir à ala mais à esquerda do partido, ainda decepcionada com a escolha de Biden, um político moderado.

Até lá, as principais personalidades do partido, como Barack e Michelle Obama, Bill e Hillary Clinton, Nancy Pelosi, Elizabeth Warren, Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez falarão aos eleitores. E como de costume, artistas manifestarão seu apoio aos candidatos com clips pré-gravados. Entre os destaques este ano estão Billie Eilish e The Chicks.

O diário especializado em economia Les Echos recorda que as convenções também servem para levantar recursos para as campanhas. Após a escolha da afroamericana Kamala Harris, filha de mãe indiana e pai jamaicano, na semana passada, os democratas conseguiram levantar US$ 35 milhões de doações em apenas dois dias.

Progressistas e moderados, os democratas deverão superar as diferenças ideológicas e apresentar uma frente unida capaz de bater Trump em novembro, escreve o Le Figaro.

A convenção democrata terá até uma voz republicana: o ex-governador de Ohio, John Kasich, que falará nesta segunda-feira, assinala o jornal Libération. A adesão desse político antiaborto e contrário à atividade sindical não é consensual no partido. Mas Biden pretende atrair outros adversários descontentes com Trump, o que demonstra a que ponto a elite republicana se fragmentou, avalia o periódico francês.

Voto por correspondência

O voto pelo correio está no centro da batalha eleitoral de 2020. De acordo com estimativas, dois terços do eleitorado democrata deve utilizar essa alternativa, por causa da epidemia. À medida que a Covid-19 foi avançando e Trump se deu conta que o voto por correspondência não lhe era favorável, o republicano passou a dizer que o voto universal pelo correio favorecia as fraudes.

Os democratas, cientes do risco e da manobra trumpista, pediram ao Congresso a liberação de US$ 25 bilhões para salvar o correio federal, serviço público que atravessa uma crise financeira. Mas os republicanos só liberaram até agora US$ 3,5 bilhões, para decepção da oposição, que teme atrasos no envio das cédulas e na apuração.

Para piorar, há dois meses, o governo nomeou um novo presidente para o US Postal Service, Louis DeJoy, um doador das campanhas republicanas e defensor de Trump. Foi uma carta na manga que sobrou para o magnata jogar contra os democratas, diante da queda de popularidade causada por sua gestão desastrosa da epidemia e o recente movimento contra a violência de policiais brancos.

No próximo fim de semana, será a vez dos republicanos fazerem sua convenção na Carolina do Norte. Trump hesita entre pronunciar seu discurso no dia 27 direto da Casa Branca ou em Gettysburg, na Pensilvânia, um local simbólico da Guerra de Secessão, que opôs os estados mais desenvolvidos do norte contra os escravagistas do sul, na segunda metade do século 19.

Em 19 de novembro de 1863, no cemitério de Gettysburg, onde se travou uma das mais sangrentas batalhas da guerra civil, Lincoln evoca a "nova democracia", com a participação dos negros livres da escravidão. Ele enuncia o princípio de "governo do povo, pelo povo e para o povo", que Trump tenta agora recuperar.

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