Conheça Jill Biden, a professora que pode se tornar a próxima primeira-dama dos Estados Unidos

Jill Biden avisou que mesmo se o marido for eleito presidente dos Estados Unidos, ela pretende manter seu emprego de professora.
Jill Biden avisou que mesmo se o marido for eleito presidente dos Estados Unidos, ela pretende manter seu emprego de professora. AP - Gerald Herbert

Depois de Michelle Obama ter roubado a cena do primeiro dia da Convenção Nacional Democrata para lançar oficialmente o nome do candidato do partido na corrida pela Casa Branca, o destaque dessa terça-feira (18) é o discurso de Jill Biden, mulher de Joe Biden. Conhecida por ser uma das principais conselheiras do ex-vice-presidente, ela reivindica, acima de tudo, o orgulho de ser professora.

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A Convenção Nacional do Partido Democrata está sendo realizada de maneira remota por causa da pandemia de Covid-19 e, por essa razão, cada participante se pronuncia de um lugar diferente. O dispositivo altera o ritual de anúncio da candidatura do partido, tradicionalmente marcado por um grande evento que reúne milhares de pessoas. Mas essa convenção em tempos de coronavírus também está sendo a ocasião para explorar formatos diferentes na hora de falar com os eleitores potenciais.

É o caso de Jill Biden, que escolheu uma sala de aula do colégio Brandywine, em Wilmington, no Delaware, como cenário para seu discurso. Uma forma de mostrar seu apego à educação. “O ensino não é uma profissão, é o que me define”, postou a mulher do democrata nas redes sociais.

Doutora em Ciências da Educação de 69 anos, Jill é professora em um colégio de North Virgínia. Dinâmica, ela corre 8 km diariamente e já declarou que, mesmo se o marido for eleito, pretende manter o trabalho, como fez quando Joe era vice-presidente de Barack Obama.

“É importante que as pessoas deem importância aos professores, saibam que o eles fazem e melhorem a profissão”, disse em entrevista à imprensa americana, em um discurso que faz lembrar o da primeira-dama francesa, Brigitte Macron, professora aposentada e que encampou a causa da educação no início do mandato do marido.

Casados após uma tragédia

Jill e Joe Biden têm uma filha, Ashley, e são casados desde 1977. Na época do encontro entre os dois, o então senador ainda estava marcado pela perda de sua primeira mulher, Neilia Hunter, e a filha de um ano do casal, Naomi, mortas em um acidente de carro quando faziam compras de Natal, poucas semanas depois de sua vitória na eleição para o Senado por Delaware.

A tragédia deixou seus filhos Beau, de 4 anos, e Hunter, de 2, com ferimentos graves. Biden, que tinha 30 anos, fez o juramento como senador ao lado de suas camas no hospital.

Desde o início da relação, Jill temia as consequências de se envolver com uma personalidade pública. “Ser a mulher de Joe significa ter uma vida sob os holofotes, coisa que eu nunca almejei”, disse ela. Mas após o casamento, apesar da carreira política do marido, ela conseguiu se manter longe das câmeras durante anos.

Sem papas na língua

Mas a situação mudou em 1988, quando ela participou da campanha de Joe para a presidência. Em 1993, ela lançou o Biden Breast Health, um programa de educação para prevenir adolescentes de Delaware contra o câncer de mama.

No entanto, apesar de apoiar o marido, Jill não tem papas na língua quando discorda de algo, o que nem sempre agrada dos conselheiros de comunicação de Biden. Como em 2004, quando o marido hesitava em se candidatar novamente, disputando a vaga contra George W. Bush, e ela se opôs com firmeza.

Em seu livro de memórias, "Where the Light Enters: Building a Family, Discovering Myself", Jill conta que, durante uma reunião na qual conselheiros tentavam convencer o marido a concorrer novamente, ela entrou na sala vestindo apenas um biquíni com a palavra “não” escrita em letras capitais na barriga.

Mas desde 2008 ele apoia o marido em todas as campanhas, presente nos comícios. Sempre que pode, ela expressa nas redes sociais o orgulho de acompanhar Joe na corrida pela Casa Branca e, mais do que nunca, o aconselha. Ela teria, segundo a imprensa norte-americana, tido uma papel importante na escolha de Kamala Harris como vice na chapa democrata.

Como uma certa Hillary Clinton no passado, ela também saiu na defesa do marido, quando Biden foi acusado de gestos inapropriados por oito mulheres, uma delas alegando ter sido vítima de uma agressão sexual. Diplomata, ela conseguiu atravessar a tempestade sem arranhar a imagem do casal.  

Discurso esperado

O discurso da possível futura primeira-dama é um momento esperado nas campanhas presidenciais norte-americanas, não apenas do lado democrata. Durante a disputa de 2016, por exemplo, a participação de Melania Trump, mulher do atual presidente, deu o que falar.

A ex-modelo nascida na Eslovênia tentou entrar na pele de outras futuras primeiras-damas, como Jackie Kennedy, uma fonte de inspiração para Melania. No entanto, a tentativa fracassou, após a descoberta de que sua fala continha trechos copiados de um discurso de Michelle Obama. Um erro de principiante que dificilmente Jill Biden faria.

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