Bannon, ex-conselheiro de Trump, é preso e acusado de fraude em campanha de doação para muro na fronteira com México

Steve Bannon foi dos arquitetos da campanha presidencial do presidente americano, Donald Trump.
Steve Bannon foi dos arquitetos da campanha presidencial do presidente americano, Donald Trump. AFP/File

Steve Bannon, ex-conselheiro do presidente americano, Donald Trump, foi preso após ser acusado, nesta quinta-feira (21), de fraude contra cidadãos que doaram dinheiro para a construção de um muro na fronteira com o México, anunciou a Procuradoria de Nova York.

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De acordo com informações da imprensa americana, Bannon, de 66 anos, foi detido em um barco no litoral do estado de Connecticut, nordeste dos Estados Unidos. Ele deve comparecer nas próximas horas a uma audiência com um juiz federal de Nova York para a leitura das acusações.

Um dos arquitetos da campanha presidencial de Trump, Bannon e outros três acusados no caso "cometeram uma fraude de centenas de milhares de dólares", afirmou a procuradora interina do distrito sul de Nova York, Audrey Strauss. Segundo ela, eles teriam utilizado o montante para cobrir "gastos pessoais".

A campanha on-line arrecadou mais de US$ 25 milhões, de acordo com os promotores. O ex-conselheiro da Casa Branca e outro acusado, Brian Kolfage, de 38 anos, fundador da campanha "We Build the Wall" ("Nós Construímos o Muro"), asseguraram aos doadores que 100% do dinheiro seria utilizado para a construção.

Mas de acordo com a acusação, Kolfage ficou com US$ 350 mil para financiar seu "luxuoso estilo de vida" e Bannon desviou um US$ 1 milhão para uma organização sem fins lucrativos, "cobrindo centenas de milhares de dólares de gastos pessoais".

Ao lado de mais dois acusados, Timothy Shea e Andrew Badolato, Bannon e Kolfage montaram um esquema para desviar o dinheiro e ocultar a fraude, reiterou a Procuradoria de Nova York. Segundo Strauss, eles "capitalizaram seu interesse de financiar um muro na fronteira para arrecadar milhões de dólares, sob o falso pretexto de que todo o dinheiro seria gasto na construção". 

Os quatro detidos foram acusados de dois crimes: fraude bancária e conspiração para lavagem de dinheiro. Cada delito pode resultar em uma pena máxima de 20 anos de prisão.

Polêmico assessor de Trump e guru de Eduardo Bolsonaro

O polêmico Steve Bannon deixou o seu cargo na Casa Branca em agosto de 2017. O motivo de sua saída nunca foi divulgado. No entanto, o ex-chefe do site ultraconservador Breitbart News teria provocado a ira de Trump ao vazar informações às mídias americanas para prejudicar grupos rivais dentro do governo. 

Apontado como um supremacista branco, a permanência no cargo de conselheiro estratégico do presidente americano também foi criticada após as violências racistas em Charlottesville, que deixaram um morto

Bannon também é próximo da família Bolsonaro. Em fevereiro de 2019, ele chegou a nomear, informalmente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro como "o líder sul-americano do movimento da direita populista". Durante a campanha de Jair Bolsonaro, ele e o filho do presidente realizaram diversos encontros em Washington e em Nova York. Em seu Twitter, Eduardo Bolsonaro fez posts elogiosos ao populista da extrema direita.

Em março de 2019, em uma entrevista coletiva na associação dos jornalistas estrangeiros em Roma, Bannon exaltou o presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o então vice-premiê e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, do partido ultranacionalista Liga, como "os políticos mais importantes do mundo”.

(Com informações da AFP)

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