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Calor escaldante intensifica incêndios e provoca tempestades de relâmpagos na Califórnia

Áudio 05:48
Casa é devorada pelas chamas na cidade de Vacaville, um dos grandes focos de incêndios na Califórnia, na quarta-feira (19).
Casa é devorada pelas chamas na cidade de Vacaville, um dos grandes focos de incêndios na Califórnia, na quarta-feira (19). AFP

Enquanto o Brasil enfrenta uma onda de frio, a Califórnia derrete. Os Estados Unidos podem ter registrado a temperatura mais alta do planeta. O forte calor deste verão no hemisfério norte resulta em incêndios e cortes de energia elétrica no oeste americano, além de uma quantidade inédita de tempestades secas de relâmpagos.  

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Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

Até a semana passada o verão estava ameno, mas as temperaturas começaram a subir e no último domingo (16) foi registrada essa marca - que pode ser histórica - de 54,4°C no Vale da Morte, na Califórnia. Esse parque nacional fica a cerca de 430 quilômetros de Los Angeles e a 200 quilômetros de Las Vegas. 

O parque já foi locação de dezenas de filmes famosos, como episódios da saga Star Wars, até por ter um cenário que parece de uma galáxia muito distante. Já havia sido registrada em 1913 uma temperatura de 56,7°C graus no Vale da Morte, que está inclusive no Guinness book, o livro dos recordes. 

Mas há também registro de 58°C na Líbia, em 1922, em outros locais como Sudão, Tunísia. No entanto, esses números são contestados por meteorologistas, que dizem terem sido coletados de forma incorreta. 

Assim, essa temperatura de 54,4°C pode ser a mais alta registrada até hoje de forma confiável. A medição ainda está sendo verificada pelo Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, uma avaliação que pode durar meses. 

Mas o que ninguém duvida é que a região é uma das mais quentes do mundo. É neste local que está também o ponto mais abaixo do nível do mar nos Estados Unidos: 86 metros. Esse é um dos motivos do calor, além da umidade baixa, que no domingo estava a 7%. 

A média de temperatura em agosto fica em torno dos 45°C. A previsão para esta quinta-feira (20) é que os termômetros marquem até 49°C. O fenômeno atrai multidões para o deserto, curiosas para vivenciar o calor escaldante.

Cortes de energia e incêndios

Essa é uma onda de calor histórica para o restante do estado da Califórnia, que também sofre com cortes de energia elétrica. Pela primeira vez desde 2001, o governo do estado chegou a anunciar que poderia haver apagões devido à sobrecarga de energia. Há muita gente com ar-condicionado ligado ao mesmo tempo, e, devido à pandemia de coronavírus, milhões de pessoas trabalhando de casa, crianças tendo aulas virtuais, o que leva leva a uma sobrecarga e vulnerabilidade do sistema. 

O governo também está fazendo campanha para evitar o uso do sistema em horários de pico, com a recomendação de desligar eletrodomésticos, luzes e controlar a utilização do ar-condicionado. Mas isso acaba sendo difícil, já que não apenas no deserto, mas em pelo menos 13 cidades da Califórnia, houve recorde de temperatura.

Além disso, há tempestades secas, com muitos raios e sem chuvas. Na quarta-feira (19), o governador Gavin Newson disse que em 72 horas foram 10.849 relâmpagos, principalmente no norte do estado, na região das grandes vinícolas dos condados de Napa, Sonoma e Solano. Nos arredores de São Francisco, isso resultou em vários focos de incêndio: 367 apenas durante a tarde.

Segundo o Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos, essa também foi uma das sequências de relâmpagos mais violentas já registradas. Ou seja, muitos recordes que levam os especialistas a reafirmar que tudo isso é consequência do aquecimento global e das mudanças climáticas.

Com focos de incêndio ativos na Califórnia, milhares de pessoas tiveram de deixar suas casas, lotando abrigos neste período crítico da pandemia de coronavírus. Além disso, a fumaça dos incêndios deixa péssima a qualidade do ar e também pode levar muita gente aos hospitais com problemas respiratórios .

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