Biden é oficializado candidato à Casa Branca e promete acabar com "tempos sombrios" nos EUA

O candidato democrata, Joe Biden, realizou um discurso conciliador no último dia da convenção do partido em Wilmington, no estado do Delaware, na quinta-feira (20).
O candidato democrata, Joe Biden, realizou um discurso conciliador no último dia da convenção do partido em Wilmington, no estado do Delaware, na quinta-feira (20). REUTERS - KEVIN LAMARQUE

O ex-vice-presidente Joe Biden se tornou na noite de quinta-feira (20) candidato oficial dos democratas para as eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos. A convenção do partido foi encerrada com um discurso em que Biden se mostrou reconciliador, fazendo um apelo para que os norte-americanos se unam contra os "tempos sombrios" que vivem.

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Com informações de Anne Corpet, correspondente da RFI em Washington, e agências

Oficialmente candidato, Joe Bien se apresentou como uma alternativa para a união o que, segundo ele, permitirá que os Estados Unidos deixem o caos para trás. "Serei um aliado da luz e não das trevas", afirmou. 

Determinado, Biden não poupou Donald Trump de críticas. O democrata indicou que colocará o país de volta nos trilhos, investirá na ciência para lutar contra a pandemia e respeitará as regras de diplomacia. 

"Serei um presidente que estará ao lado de nossos aliados e serei claro com nossos adversários. O tempo de flerte com os ditadores terminou", disse, durante discurso em Wilmington, no estado do Delaware. 

A crise sanitária, responsável pela morte de mais de 170.000 pessoas nos Estados Unidos e por elevar a taxa de desemprego no país para 10%, foi tema recorrente durante todo o evento. Biden também garantiu que, se eleito, irá implementar uma estratégia nacional para combater a Covid-19 desde o primeiro dia de seu mandato.

Convenção diferente

O discurso de Biden finalizou uma convenção fora do comum, que seria originalmente realizada em Wisconsin, mas que acabou sendo virtual devido à pandemia do coronavírus. Do lado de fora do centro de convenções de Wilmington, o Partido Democrata instalou um telão para que os apoiadores pudessem acompanhar o evento de seus carros. Um grupo de pessoas que assistiu aos discursos comemorou cada aparição de figuras importantes do partido.

Após o discurso, Biden e sua esposa foram saudar a audiência, protegidos por máscaras pretas, e assistiram a um espetáculo de fogos de artifícios, mantendo distância da companheira de chapa Kamala Harris.

A indicação consagra a resiliência do ex-vice de Obama, que tentou chegar à Casa Branca sem sucesso em duas outras ocasiões, em 1988 e 2008. Durante todo o evento, os democratas lembraram de Beau Biden, o filho do candidato que faleceu em 2015 de câncer.

Em homenagem a Harris, que fez história como a primeira mulher negra indicada por um partido majoritário como candidata à vice-presidência, a atriz Julia Louis-Dreyfus lembrou sua popular personagem na série de TV "Veep", a primeira presidente mulher, ao comandar parte do evento. 

A convenção também dedicou um espaço ao voto por correio, que poderá ser crucial por causa da pandemia do coronavírus. A alternativa é alvo de críticas por parte de Donald Trump, que vem provocando polêmica nos últimos dias devido à remoção de caixas postais em residências.

União de rivais democratas contra Trump  

Na última noite da convenção, os democratas tentaram projetar uma imagem de união contra Trump, com o objetivo de deixar para trás as divisões que atrapalharam o partido em 2016. Alguns dos rivais de Biden nas primárias - Bernie Sanders, Elizabeth Warren, Andrew Yang, Pete Buttigieg, Cory Booke, Beto O'Rourke e Amy Klobuchar - tomaram a palavra.

"Todos nós, sejamos progressistas ou moderados, devemos estar unidos para derrotar este presidente", disso o senador Sanders, último adversário de Biden a desistir da candidatura, em abril.

A prisão de Steve Bannon - ex-conselheiro de Trump acusado de desviar dinheiro de doações para a construção de um muro na fronteira com o México - caiu como uma luva para os democratas. Em comunicado, o partido destacou que Bannon se soma à "longa lista" de assessores de Trump que foram processados, acusados e condenados por crimes.

Logo após a detenção do arquiteto de sua campanha eleitoral de 2016, Trump rapidamente se esquivou. A Casa Branca afirmou que "não está envolvida" no projeto Bannon.

Quanto aos republicanos, sua convenção na próxima semana também não escapará do formato virtual e já está cercada de polêmica sobre o anúncio de Trump de que receberá a indicação na Casa Branca, quebrando a regra de separar suas atividades governamentais de sua campanha.

Comício rival na Pensilvânia

Trump seguiu a estratégia que manteve desde o início da convenção adversária, organizando um comício no mesmo dia da nomeação de Biden. Na quinta-feira, o republicano visitou Old Forge, na Pensilvânia, próximo à cidade natal de Biden, e alertou a população local que a eleição de um governo democrata seria "o caos" e "o pior pesadelo" para a nação.

"Somos o muro entre o sonho americano e a destruição", declarou Trump a um grupo de seguidores, que o receberam vestidos com o característico boné vermelho com o slogan "Make America Great Again" (Faça os Estados Unidos grandes novamente).

Durante toda a semana, Trump visitou diversas cidades em estados onde o resultado pode decidir a eleição para um lado ou para o outro, como Wisconsin, Arizona e Iowa.   

Coincidindo com a convenção democrata, a emissora conservadora Fox exibiu uma entrevista com o presidente na qual Trump enfatizou as críticas ao voto por correio, que argumenta ser um espaço para fraudes na eleição.

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