Oficialmente candidato, Trump repete aposta no efeito surpresa para garantir reeleição

O presidente americano Donald Trump durante primeira convenção republicana, que oficializou sua candidatura nas eleições de 3 de novembro.
O presidente americano Donald Trump durante primeira convenção republicana, que oficializou sua candidatura nas eleições de 3 de novembro. © 路透社图片

Declarado oficialmente candidato à eleição presidencial nesta segunda-feira (24) pelo Partido Republicano, Donald Trump espera reverter as pesquisas que apontam ampla liderança do democrata Joe Biden para conquistar seu segundo mandato em 3 de novembro. O inquilino da Casa Branca repete estratégias de 2016 e espera o mesmo efeito surpresa para se reeleger.

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“Trump está convencido de que é um presidente popular e de que ele vai ganhar. Vamos ter um Trump cheio de confiança e mais ‘trumpistas’ do que nunca. Ele está convencido de que a estratégia que ele usou em 2016 é a certa, que funciona, e que não há razão nenhuma para mudar. Ele acredita que sua carta de outsider tem crédito e pode funcionar de novo”, declarou a historiadora Françoise Coste, especialista em Estados Unidos, à RFI.

Especializada em política norte-americana, Françoise destaca a estratégia do presidente de converter rejeição em diferencial competitivo. “De um modo geral, o presidente que vai deixar o cargo ainda tem o poder, ele está no topo da elite política de Washington. Mas, ao mesmo tempo, ele nunca foi aceito por uma elite midiática, ou mesmo pela elite política de Washington. E ele utiliza esses elementos para dizer que ele nunca foi adotado no mundo político, pelo mundo midiático, pelo microcosmo, porque continua puro e radical, o que causa incômodo há quatro anos. E pode ter um pouco de verdade nisso”, alerta.

Os 300 delegados

Reunidos em Charlotte, na Carolina do Norte, no primeiro dia da convenção republicana, os cerca de 300 delegados do Grand Old Party, sem surpresa, indicaram o empresário como seu candidato. Um a um, os representantes de cada um dos 50 estados americanos, começando em ordem alfabética pelo Alabama, anunciaram seu apoio ao atual presidente.

Ansioso por se diferenciar de Joe Biden, que pouco saiu de rua região, Trump viajou para Charlotte e fez uma aparição especial na convenção. Mas essa grande convenção do Grand Old Party, com exceção deste primeiro dia, será, como a de seus opositores democratas, em grande parte virtual, devido à pandemia do novo coronavírus.

Em um tweet enviado de dentro do avião Força Aérea Um, o morador da Casa Branca ficou indignado com o fato de a CNN e a MSNBC não transmitirem ao vivo a votação estado por estado. “Fake news!”, ele declarou, acrescentando que "É contra isso que o Partido Republicano deve lutar".

No início da manhã, o vice-presidente Mike Pence também foi renomeado por seu partido como candidato a vice-presidente. "A América precisa de mais quatro anos de Donald Trump na Casa Branca", afirmou ele em um breve discurso.

"Ouvi dizer na semana passada que a democracia estava em jogo", disse ele, referindo-se a uma frase usada diversas vezes pelos democratas em sua convenção. "Mas todos nós sabemos que a economia está em jogo, a lei e a ordem estão em jogo", acrescentou.

Melania, Donald Jr, Eric, Tiffany e Ivanka

Esta convenção republicana será, antes de tudo, um assunto de família para o presidente norte-americano. Além de sua esposa Melania, seus quatro filhos adultos estarão no palanque: Donald Jr, Eric, Tiffany e Ivanka.

Em desvantagem nas pesquisas nacionais de intenção de voto há semanas, o chefe de estado norte-americano espera por um salto e uma vitória surpreendente, como em 2016. Para isso, ele conta com uma convenção "muito otimista e alegre", de acordo com sua equipe de campanha.

O objetivo também é defender um balanço do seu governo, em um momento em que ele é criticado pela gestão da pandemia da Covid-19 e quando o seu trunfo, a boa saúde da economia, não é mais um trunfo. "Vamos mostrar o impacto que a administração Trump-Pence teve sobre as pessoas reais", disse Kellyanne Conway, uma conselheira próxima de Donald Trump, à Fox News.

"Você vai ouvi-los diretamente", acrescentou aquela que desempenhou um papel central na campanha de 2016 e anunciou no domingo à noite (23) que logo deixaria a Casa Branca para se dedicar à família.

Eleitorado negro

Está planejada, em especial, a intervenção de Tanya Weinreis, gerente de um café em Montana, que recebeu um empréstimo federal para lidar com as consequências da pandemia em suas atividades.

A convenção também garantiu a presença de diversos palestrantes negros, em uma tentativa de atrair parte do eleitorado negro, que é bastante hostil a Trump, incluindo Tim Scott, o único senador republicano negro.

Há uma expectativa sobre o seu programa para os próximos quatro anos. Questionado sobre esse assunto na noite de domingo na Fox News, ele foi muito evasivo mais uma vez. Se ele fosse reeleito, o que faria de diferente? “Eu reforçaria o que já fiz e faria coisas novas”, respondeu ele simplesmente.

Do Oriente Médio, onde está em viagem, o secretário de Estado Mike Pompeo deve falar sobre os avanços diplomáticos do governo Trump, uma intervenção inusitada para esse tipo de evento. Na próxima quinta-feira (27), durante discurso nos jardins da Casa Branca, o bilionário aceitará oficialmente, e pela segunda vez, a indicação de seu partido.

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