EUA: esporte profissional promove movimento histórico contra o racismo

O ato de protesto contra a injustiça racial não tem precedentes no esporte profissional americano, e foi seguido pelo beisebol, futebol americano e pelo torneio de tênis de Cincinnati.
O ato de protesto contra a injustiça racial não tem precedentes no esporte profissional americano, e foi seguido pelo beisebol, futebol americano e pelo torneio de tênis de Cincinnati. AP - Rick Bowmer

Uma atitude histórica do esporte americano invade os jornais franceses nesta quinta-feira (27). Em reação à violência policial contra Jacob Blake, três jogos de basquete da NBA foram boicotados pelos jogadores nesta quarta-feira à noite (26). O diário Le Monde relata como os jogos entre Milwaukee e Orlando, Houston e Oklahoma City e Los Angeles Lakers e Portland foram adiados depois da decisão do Milwaukee Bucks de não disputar a partida contra o Orlando Magic.

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O ato de protesto contra o racismo não tem precedentes no esporte profissional americano e foi seguido pelo beisebol, futebol americano e o torneio de tênis de Cincinnati.

O jornal Le Parisien também destaca o movimento. Ajoelhados durante o hino nacional, as palavras #BlackLivesMatter pintadas de preto no chão, mensagens e slogans nas costas das camisas dos jogadores, e discursos por justiça têm sido constantes desde a retomada da temporada, há cerca de um mês, provando a mobilização entre os jogadores, e dentro do campeonato, pela mudança em um país atormentado pelo racismo.

A tragédia vivida por Jacob Blake, este afro-americano de 29 anos, gravemente ferido no domingo (23), que o deve deixar paralisado para o resto da vida, teve o efeito de um choque nas estrelas da bola laranja, que marcaram suas posições contra este novo ato de violência policial contra os negros.

O protesto é citado pelo La Croix. Os jogadores do Bucks - sediados em Milwaukee, a cerca de cinquenta quilômetros da cidade de Kenosha, onde o crime aconteceu - foram os primeiros a decidirem a não jogar. O lateral George Hill, do Bucks, explicou: "Estamos cansados ​​dessas mortes e da injustiça. O time não vai jogar esta partida contra o Orlando Magic depois dos tiros em Jacob Blake".

Na sequência ao boicote, os jogadores do Magic fizeram o mesmo. E LeBron James, a estrela do Lakers, tuitou "Nós clamamos por mudança. Estamos cansados".

400 anos de crueldade

O L’Express e o diário esportivo L’Équipe também destacam o episódio. A co-proprietária do Lakers, Jeanie Buss, mostrou sua solidariedade: afirmando que "depois de mais de 400 anos de crueldade, racismo e injustiça, devemos todos trabalhar juntos para dizer basta". Ato de solidariedade seguido pelo sindicato dos árbitros da NBA, declarando que "existem questões maiores em nosso país do que o basquete, e esperamos que isso inspire mudanças".

O boicote pelos jogadores de Milwaukee provavelmente atrairá outros e alcança outros esportes, como o beisebol, quando os Milwaukee Brewers também não enfrentaram o Cincinnati na noite desta quarta-feira.

Resta saber até onde os jogadores de basquete irão para serem ouvidos. Alguns estão considerando deixar a Flórida e desistir do campeonato no meio da temporada.

Esse boicote não tem precedentes na história do basquete profissional americano, cujos jogadores não pararam de jogar mesmo após a morte de Martin Luther King, em 1968, mas apenas no dia nacional de luto decretado posteriormente pelo presidente Lyndon Johnson.

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