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Linha Direta

Guaidó convoca mobilização enquanto mortes de profissionais da saúde aumentam na Venezuela

Áudio 05:14
O chamado de Guaidó contraria as orientações e mina ainda mais sua popularidade. Médicos e enfermeiros pedem que as pessoas não saiam de suas casas e assim evitar a propagação da doença.
O chamado de Guaidó contraria as orientações e mina ainda mais sua popularidade. Médicos e enfermeiros pedem que as pessoas não saiam de suas casas e assim evitar a propagação da doença. AP - Matias Delacroix
Por: Elianah Jorge
11 min

O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, convocou uma mobilização para esta sexta-feira (10) para homenagear os profissionais da saúde do país, onde faltam recursos básicos para combater a Covid-19. Reconhecido por mais de 50 países como o presidente interino da Venezuela, o deputado pediu que, durante o ato, as pessoas usem máscaras e mantenham distanciamento físico. 

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Por Elianah Jorge, correspondente da RFI Brasil na Venezuela.

Os profissionais da saúde venezuelanos estão entre os mais afetados pelo vírus. De acordo com a ONG Médicos Unidos pela Venezuela, cerca de 143 deles morreram no país após contrair a Covid-19.   

Ao convocar a passeata, que ocorrerá em frente ao Colégio de Médicos de cada estado, Guaidó contraria as orientações dos especialistas e prejudica ainda mais sua popularidade. Médicos e enfermeiros pedem às pessoas que não saiam de casa para evitar a propagação da doença – o governo prevê uma flexibilização da quarentena nesta semana.

De acordo com os dados divulgados pelo governo de Nicolás Maduro, nas últimas horas 1.188 pessoas testaram positivo para a covid-19.
De acordo com os dados divulgados pelo governo de Nicolás Maduro, nas últimas horas 1.188 pessoas testaram positivo para a covid-19. AP - Ariana Cubillos

De acordo com os dados divulgados pelo governo de Nicolás Maduro, nas últimas horas 1.188 pessoas testaram positivo para a Covid-19. Desde março, quando os primeiros casos da Covid foram noticiados no país, a Venezuela já contabilizou 56.751 casos e 452 mortes.

Estas informações são questionadas pela oposição e por organizações não governamentais venezuelanas – os números da Covid na Venezuela são maiores que os apresentados pelo governo bolivariano, afirmam.  

Luvas, máscaras e sabão

Os profissionais da saúde enfrentam uma batalha que vai além do aumento do número de casos da doença em toda a Venezuela. A Comissão de Especialistas da Saúde para Combater a Pandemia, da opositora Assembleia Nacional, divulgou uma pesquisa informando que, até 8 de setembro deste ano, faltavam máscaras em mais de 58% dos hospitais. Em mais de 41% dos estabelecimentos, não há luvas cirúrgicas e, em 83%, o sabão é escasso – sem contar a falta de água que afeta boa parte do país e não poupa sequer os hospitais públicos.

Diosdado Cabello, o segundo homem forte do chavismo, contou que enquanto se recuperava da Covid-19 internado em um hospital, sofreu o mesmo problema que cerca de 69% da população: a falta ou o abastecimento irregular de água.

Diosdado Cabello, o segundo homem forte do chavismo, contou que enquanto se recuperava da covid-19 internado em um hospital, sofreu o mesmo problema que cerca de 69% da população: a falta ou o abastecimento irregular de água.
Diosdado Cabello, o segundo homem forte do chavismo, contou que enquanto se recuperava da covid-19 internado em um hospital, sofreu o mesmo problema que cerca de 69% da população: a falta ou o abastecimento irregular de água. AP - Matias Delacroix

De acordo com o governo de Nicolás Maduro, os profissionais da saúde recebem os suprimentos por doações da Rússia e China.

Vacina para a eleição

Apesar da quarentena, que o governo radicaliza e flexibiliza, até o momento está mantida a eleição para a escolha dos próximos deputados à Assembleia Nacional.

O presidente venezuelano tem um plano polêmico. Ele propõe ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a possibilidade de aplicar a vacina russa nos mais de 14 mil candidatos inscritos para o pleito do próximo 6 de dezembro. A ideia é que os possíveis parlamentares possam fazer campanha corpo a corpo nas comunidades do país.       

Nicolás Maduro garantiu que seu governo assinou documentos confidenciais para começar a testar em pacientes venezuelanos as vacinas elaboradas por Rússia e Cuba.

As primeiras amostras da vacina russa devem chegar ainda este mês à Venezuela “para ensaios clínicos”, afirmou Maduro. O outro carregamento do imunizante está previsto para ser entregue em outubro.

Medicina tradicional chinesa

Nesta terça-feira (8), chegou à Venezuela o sétimo voo humanitário trazendo da China insumos médicos, material cirúrgico e remédios para combater a Covid-19. Ao todo, foram doados por Pequim mais de 700 toneladas de produtos e materiais. 

A vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, ressaltou que a China está elaborando vacinas contra o novo coronavírus e a “Venezuela está iniciando os trâmites para participar dos ensaios clínicos e produzir algumas delas no país”.  

No carregamento chegou, nas palavras de Delcy Rodríguez, “uma importante doação da medicina tradicional chinesa que vem sendo empregada como muita eficácia neste país irmão para combater a Covid-19”. No entanto, Rodríguez apenas especificou que este item da doação está sendo agregado aos “esquemas de tratamento” aplicados em pacientes venezuelanos.

Rodríguez também se reuniu com o embaixador da Rússia na Venezuela para continuar fortalecendo as relações de “irmandade e cooperação” entre Moscou e Caracas. Ao longo de 16 anos de parceria, foram assinados cerca de 260 acordos em diversas áreas entre ambos os países. 

Aeroporto Internacional Simon Bolivar em La Guaira, Venezuela, chegada de sétimo voo humanitário trazendo da China médicos, material cirúrgico e remédios para combater a covid. Em 30 de março de 2020.
Aeroporto Internacional Simon Bolivar em La Guaira, Venezuela, chegada de sétimo voo humanitário trazendo da China médicos, material cirúrgico e remédios para combater a covid. Em 30 de março de 2020. AP - Matias Delacroix

 

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