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Noite de protestos contra violência policial termina com 7 mortos e delegacias vandalizadas na Colômbia

Capital colombiana tem noite violenta de protestos após morte de advogado vítima de violência policial.
Capital colombiana tem noite violenta de protestos após morte de advogado vítima de violência policial. AP Photo/Ivan Valencia
Texto por: RFI
5 min

Manifestações contra a violência policial em Bogotá terminaram em uma noite de raiva e de violência, com sete mortes, centenas de feridos e dezenas de delegacias vandalizadas. Os protestos na quarta-feira (9) começaram em reação à morte de um advogado, após uma ação policial. A cena do advogado no chão recebendo choques de Teaser de policiais enquanto implorava que parassem foi filmada e publicada nas redes sociais.

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"Ele não morreu, eles o mataram." "50.000 volts de brutalidade policial e abuso." Estas eram algumas das frases entoadas durante os protestos em Bogotá, em Medellín, em Cali e outras cidades colombianas pela morte de Javier Ordoñez, advogado de 44 anos, vítima de violência e abusos policiais.

Em um vídeo de mais de cinco minutos, dois policiais aplicam ao menos dez choques com pistolas Teaser em um homem que, do chão, implora "por favor, por favor" para que os agentes parem.

Até o último momento da gravação, Ordoñez ainda está vivo. Em seguida, ele foi levado a uma Delegacia de Polícia junto com uma das pessoas que estava gravando o vídeo. Segundo relatos de familiares, Ordoñez também foi espancado dentro da delegacia. De lá, o levaram para a clínica médica Santa María del Lago, em Bogotá, onde chegou sem vida.

De acordo com o ministério da Defesa, o caso está sendo investigado.

Repressão e caos

Na tarde de quarta-feira, centenas de pessoas se reuniram para protestar em frente à delegacia para onde a vítima foi levada antes de morrer. Os manifestantes pintaram a fachada do edifício com tinta vermelha e atiraram pedras.

A polícia tentou dispersar a multidão com bombas de gás lacrimogêneo, mas os protestos se espalharam por outras áreas de Bogotá.

Ao menos três pessoas, incluindo um menor de 17 anos, foram baleadas e morreram, informou a polícia nesta quinta-feira (10). Segundo o governo, 56 delegacias de polícia foram "vandalizadas" e 70 pessoas foram presas por "violência contra a polícia".

“Estamos perante uma ação massiva de violência”, afirmou o ministro da Defesa, Carlos Holmes Trujillo.

No Twitter, a prefeita de Bogotá, Claudia Lopez, relatou 362 feridos na capital: 248 civis e 114 policiais. Entre os “feridos”, 58 foram baleados, disse um vereador, que denunciou o “uso indiscriminado de armas de fogo” pela polícia.

Violência sistêmica

"Este é o 11º caso de violência homicida este ano por forças de segurança que registramos em nossa plataforma. E nos últimos três anos, 639 pessoas foram assassinadas ”, afirma Alejandro Lanz, diretor da ONG Temblores, especializada em violência pela força pública. "Nos últimos três anos, ocorreram 40.481 casos de violência física de policiais contra civis no país e 241 atos de violência sexual cometidos pela força pública", completa.

"Este caso também mostra que o uso de armas não letais pode causar a morte de pessoas e como, apesar de a pessoa estar totalmente submetida e não haver necessidade de uso de força, a polícia a usa em excesso”, considera Lanz.

Para o advogado, a polícia ataca sistematicamente a população e a violência policial é um problema estrutural da força pública e não fruto da atuação de algumas “maçãs podres” dentro da instituição. Por isso, ele considera importante e necessário que as pessoas denunciem esta violência à justiça.

Mas aí surge um dos eixos estruturais do problema. O juiz encarregado de julgar a polícia faz parte do Ministério da Defesa, já que é da justiça criminal militar. O mesmo ministério responde pelos policiais.

“O fato da justiça para a força pública estar dentro do Ministério da Defesa e não na justiça criminal comum é uma das partes essenciais do problema, porque viola o princípio democrático da separação de poderes”, diz o advogado.

No final de fevereiro, a ONU (Organização das Nações Unidas) tinha feito um alerta para os abusos e homicídios cometidos pelas forças oficiais de segurança no país.

(Com informações de Angélica Pérez, da RFI, e da AFP)

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