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Mudança climática, uma faísca incendiária no oeste dos Estados Unidos

O incêndio em Creek na Califórnia que consumiu 66.000 hectares
O incêndio em Creek na Califórnia que consumiu 66.000 hectares AFP
Texto por: RFI
5 min

Os incêndios florestais que se espalharam ao longo da costa oeste da América do Norte, do Canadá ao México já mataram mais de 30 pessoas desde o início do verão no hemisfério norte. Muitos especialistas estimam que os incêndios atuais estão relacionados às mudanças climáticas. Nesta segunda-feira (14), o governador da Califórnia, Gavin Newsom, confrontou o presidente norte-americano, Donald Trump, em visita ao estado: "As mudanças do clima são reais!", disparou. A RFI conversou com Lorenzo Labrador, cientista da Organização Meteorológica Mundial, sobre o assunto.

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"Vai acabar esfriando", disse um Trump otimista nesta segunda-feira em visita aos devastados estados do oeste norte-americano, ostentando um sentimento que não é partilhado nem de longe pela comunidade de cientistas dos Estados Unidos, que estuda o fenômeno dos incêndios na costa do Pacífico.

Quando chegou à Califórnia nesta segunda-feira, o presidente conservador insistiu no "manejo florestal" no oeste dos Estados Unidos, antes de ser confrontado pelo governador da Califórnia, Gavin Newsom, que lhe disse que a mudança climática era "real" e que esta "agravou" os incêndios.

De acordo com o consenso científico, a escala desses incêndios florestais está definitivamente ligada às mudanças climáticas, que agravam a seca crônica e causam condições climáticas extremas.

“Os incêndios florestais são uma combinação de muitos fatores: seca, ventos extremos, ondas de calor, tempestades. Todos esses fatores podem ser exacerbados ou intensificados pelas mudanças climáticas, que podem levar a ondas de calor mais intensas, temperaturas mais altas e secas, produzindo mais combustível para incêndios", explicou Lorenzo Labrador, cientista da Organização Meteorológica Mundial.

"A comunidade científica globalmente concorda que, embora os incêndios florestais sejam naturais, as mudanças climáticas podem prolongar a temporada de incêndios e torná-la mais intensa. Isso já é observado há muito tempo”, disse.

Menos frequente e intenso que no estado vizinho da Califórnia, no Oregon também ocorre uma temporada de incêndios florestais, porém, “este último periodo tem sido um dos mais intensos. Isso se deve a uma combinação de fatores ”, antecipou Labrador.

“Estão em jogo a mesma seca e a mesma quantidade de ventos fortes que afetam o estado da Califórnia, mas no Oregon o fato de as pessoas queimarem lixo também colabora para que a mão do homem, somada à seca e às altas temperaturas, gere incêndios além dos naturais”, acrescenta.

Os incêndios florestais não destroem apenas árvores, plantas, animais e uma biodiversidade já bastante atingida pelo ser humano. Seus efeitos acabam sendo prejudiciais à própria humanidade.

Incêndios invisíveis

“Muitos dos incêndios florestais não são necessariamente vistos. A parte visível geralmente é o vapor d'água e o descaroçador, um produto da queima de lenha e das horas, mas há uma série de emissões associadas aos incêndios florestais que não são visíveis, mas são tóxicas e afetam de certa forma a saúde humana de maneira crítica, especialmente para pessoas que sofrem de problemas cardiovasculares e doenças respiratórias", detalhou o cientista.

Faíscas em Oregon, cinzas na Europa

“Há uma série de imagens de satélite muito recentes que mostram que parte da nuvem de fumaça dos incêndios florestais na Califórnia e no Oregon, que conseguiram cruzar todo o continente americano a partir do norte, foram aprisionados pela corrente de jato de latitudes setentrionais, no norte, e cruzaram todo o Atlântico. Foi visto que parte dessas emissões estão começando a chegar à Europa através da parte norte das Ilhas Britânicas e da parte norte do continente europeu", afirmou Labrador.

"Eles não chegarão com a mesma concentração que vêem na América do Norte, mas existe a possibilidade de que estejam chegando e sejam detectados. Isso mostra que fenômenos como fortes incêndios florestais não limitam seus efeitos apenas no local onde ocorrem, mas podem chegar até outro continente, que é o que está acontecendo agora”, concluiu o cientista da Organização Meteorológica Mundial.

"Essa é uma das razões pelas quais as pessoas estão sendo deslocadas. É importante mantê-las longe do fogo, mas também é importante mantê-las longe de emissões tóxicas que degradam a qualidade do ar. É um problema que ocorre em qualquer lugar do mundo onde há incêndios florestais”, comentou.

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