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Morte de juíza da Suprema Corte abre batalha política nos EUA

Ruth Bader Ginsburg, a juíza mais antiga da Corte Suprema americana morreu nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2020.
Ruth Bader Ginsburg, a juíza mais antiga da Corte Suprema americana morreu nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2020. REUTERS/Jonathan Ernst
Texto por: RFI
5 min

Ruth Bader Ginsburg, ícone progressista e do movimento a favor dos direitos das mulheres, morreu nessa sexta-feira (18) aos 87 anos de câncer no pâncreas. Ela era a juíza mais antiga da Suprema Corte americana e sua morte abre uma batalha política por sua substituição a menos de dois meses das eleições presidenciais nos Estados Unidos. Trump poderia substituir a magistrada rapidamente antes da eleição e reforçar o número de juízes conservadores na mais alta instância jurídica americana. A notícia preocupa os democratas.

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Com informações de Marie Normand, da RFI, e AFP

Ruth Bader Ginsburg morreu “rodeada por sua família em sua casa em Washington”, após uma longa batalha contra um câncer de pâncreas, anunciou a maior instância jurídica americana em um comunicado.

Nascida no Brooklyn, Nova York, em 1933, a juíza, defensora das causas das mulheres, das minorias e do meio ambiente, serviu a Suprema Corte americana por 27 anos, sendo indicada para o cargo em 1993 pelo então presidente democrata Bill Clinton. Com seus posicionamentos progressistas, Ginsburg, que foi a segunda mulher a se tornar juíza da Suprema Corte, conquistou a admiração dos jovens, recebendo carinhosamente em troca o apelido de "Notorious RBG", em referência ao rapper Notorious BIG.

"Nossa nação perdeu uma jurista de relevância histórica", declarou o presidente da corte, John Roberts. "Perdemos uma querida colega. Hoje, estamos de luto, mas confiamos que as gerações futuras lembrarão de Ruth Bader Ginsburg como nós a conhecemos: uma incansável e obstinada campeã da justiça", completou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, homenageou Ginsburg nesta sexta-feira, após ser informado do falecimento da magistrada por repórteres que o acompanham em Minnesota, onde estava em campanha. "Ela acaba de morrer? Eu não sabia. Ela teve uma vida incrível, o que mais se pode dizer?", declarou o mandatário.

Mais um juiz conservador nomeado por Trump?

A juíza enfrentou quatro cânceres desde 1990, mas apesar da piora de seu estado de saúde jurou que ficaria no cargo até o fim. Essa perseverança e sua carreira excepcional trouxeram uma celebridade inédita para um juiz da Suprema Corte. Ela tinha um blog de fãs e a cada uma de suas recaídas, milhares de internautas lhe desejavam melhoras e pediam para ela “aguentar firme” até a eleição de 3 de novembro. Ruth Bader Ginsburg era um dos quatro juízes progressistas da Corte, que tem ao todo nove integrantes.

A menos de dois meses para as eleições presidenciais americanas, é provável que o presidente republicano se apresse para indicar o sucessor de Ginsburg. Desde que chegou ao poder, Trump já nomeou dois juízes para a corte e teria agora a possibilidade de nomear um terceiro, reforçando por várias décadas o campo conservador na corte. Os cargos da Suprema Corte são vitalícios.

O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, confirmou nessa sexta-feira que organizará uma votação na câmara alta do Congresso caso Trump indique um novo nome para a Suprema Corte antes das eleições de 3 de novembro. "Prometemos trabalhar com o presidente Trump e apoiar sua agenda, especialmente suas indicações para os cargos de juízes federais", declarou McConnell em comunicado. "Mais uma vez, manteremos nossa promessa. O candidato do presidente Trump terá direito a uma votação na sede do Senado", continuou.

Reação democrata

A Suprema Corte tem a última palavra em muitos dos temas mais sensíveis que dividem os Estados Unidos na atualidade: o aborto, passando pelo porte de armas, até os direitos civis e a pena de morte. Trump já deu sinais de que entre seus nomes favoritos para ocupar o lugar de Ginsburg estão juízes contrários ao aborto e favoráveis ao porte de armas.

Os democratas estão preocupados. O líder do partido no Senado, Chuck Schumer, homenageou Ginsburg, que chamou de "gigante da história dos Estados Unidos", mas pediu que a escolha do próximo juiz da Suprema Corte não seja apressada." O povo americano precisa ter voz na escolha do próximo juiz da Suprema Corte. O cargo não deve ser atribuído até termos um novo presidente", tuitou.

O candidato democrata à presidência, Joe Biden, também se manifestou contrário à escolha de um novo magistrado antes das eleições de novembro. "Os eleitores devem escolher o presidente, e o presidente deve escolher o juiz da Suprema Corte para que este seja considerado pelo Senado", afirmou Biden a jornalistas.

 

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