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Coquetel anticovid de Trump foi desenvolvido a partir de células de fetos abortados, diz Guardian

O presidente dos EUA, Donald Trump, no Hospital Militar Walter Reed, em Maryland, em 4 de outubro de 2020.
O presidente dos EUA, Donald Trump, no Hospital Militar Walter Reed, em Maryland, em 4 de outubro de 2020. The White House/AFP/Archivos
Texto por: RFI
4 min

O jornal britânico The Guardian revela em reportagem desta sexta-feira (9) os ingredientes do coquetel antiviral do laboratório Regeneron administrado ao presidente dos Estados Unidos, durante sua breve estadia no Hospital Militar Walter Reed. O Guardian ironiza o fato do chefe de Estado ter usado um remédio à base de células de fetos abortados para combater o coronavírus, ao mesmo tempo em que se alia ao discurso contra o aborto do eleitorado ultraconservador, na mira das eleições presidenciais do 3 de novembro.

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O jornal britânico destaca que uma das drogas tomadas por Donald Trump no Hospital Militar Walter Reed, apontada por ele como uma “cura” potencial para o coronavírus, foi desenvolvida com células humanas originalmente obtidas a partir de um aborto voluntário, prática denunciada repetidamente pelo presidente norte-americano e por muitos de seus apoiadores.

"A droga é um coquetel de anticorpos desenvolvido pela Regeneron", publica The Guardian nesta sexta-feira (9). "O presidente recebeu uma infusão de 8 gramas quando foi hospitalizado no fim de semana após teste positivo para Covid-19. Não há cura para a Covid-19 e o medicamento não foi aprovado [segundo o cânone científico]", destaca.

Segundo o jornal inglês, as células usadas para desenvolver a droga são conhecidas como HEK-293T, uma linhagem de células especialmente usada em laboratórios. Elas foram originalmente derivadas de um rim embrionário após um aborto realizado na Holanda, na década de 1970.

Trump e o proselitismo antiaborto e anticélulas tronco

O líder dos conservadores tem buscado restringir o acesso ao aborto em seu país. "O movimento antiaborto é uma das bases de apoio mais entusiásticas de Trump", observa o jornal, relembrando que a indicação da  indicar a conservadora juíza católica Amy Coney Barrett para a Suprema Corte, no mês passado, sinaliza esse objetivo.

A plataforma eleitoral do Partido Republicano de 2020 se opõe explicitamente à pesquisa com células-tronco embrionárias e pede a proibição do financiamento federal para pesquisas com elas, porque, como as células HEK, são derivadas de um embrião, frisa o Guardian. "Trump já limitou as pesquisas com células-tronco embrionárias por razões ideológicas”, destaca o jornal. Em 2019, sublinha o texto, o governo interrompeu o financiamento para cientistas do governo trabalharem em estudos envolvendo células-tronco embrionárias, afetando cerca de US$ 31 milhões em pesquisas, de acordo com a revista Science.

A Susan B Anthony List, um importante grupo antiaborto dos EUA, não respondeu à reportagem do The Guardian sobre a questão. No entanto, o movimento se manifestou sobre outros medicamentos contra a Covid-19 em desenvolvimento. Pelo menos cinco vacinas candidatas usaram estas mesmas células HEK-293T aplicadas em Trump ou uma linha de células patenteada e desenvolvida a partir de um aborto eletivo em 1985.

Retorno à campanha

Nesta quinta-feira (8), em entrevista à emissora Fox News, o presidente americano disse que que pretende organizar um comício neste sábado (10), provavelmente na Flórida, embora ainda esteja em recuperação da Covid-19.  "Acho que vou tentar fazer um comício no sábado à noite se tivermos tempo suficiente para organizá-lo", revelou Trump ao apresentador conservador Sean Hannity.

O líder afirmou que também pretende organizar outro comício no domingo (11), na Pensilvânia. "Eu me sinto muito bem", garantiu o presidente, após receber o aval de seu médico particular para retomar as atividades públicas neste fim de semana.

Com informações da AFP

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