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Análise: imune ou não, Trump não tem tempo a perder e deve partir para o tudo ou nada

O analista político Thiago de Aragão
O analista político Thiago de Aragão © Captura de tela
Texto por: Thiago de Aragão
9 min

Mais uma semana bastante movimentada na corrida presidencial americana. O Presidente Donald Trump, que passou o fim de semana da semana retrasada no hospital, já voltou à Casa Branca e se declarou livre da Covid-19. Uma notícia que provoca perplexidade, segundo o analista político Thiago de Aragão em sua crônica semanal.

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Thiago de Aragão, analista político

Por mais que o médico da Casa Branca tenha confirmado que o presidente não oferece risco de transmissão, um exame comprovando que Trump tem os anticorpos contra o vírus não foi apresentado. Especialistas ficaram céticos com essa notícia, já que o ciclo do vírus é mais longo do que o período no qual Trump ficou infectado. Independentemente dessa questão, o republicano sabe que não tem tempo a perder e precisa partir para o tudo ou nada.

A vantagem de Joe Biden na corrida eleitoral aumentou após seu debate na TV com Trump e o debate dos candidatos à vice-presidência, Kamala Harris (Partido Democrata) e Mike Pence (Partido Republicano). No entanto, Biden sabe que as pesquisas não são uma garantia, muito pelo contrário, e a mobilização para que o eleitor democrata vote é de extrema importância para converter a tendência das pesquisas em realidade.

Apesar das sondagens mostrarem uma vantagem do democrata, o que há, na verdade, é um empate técnico entre os dois candidatos na Flórida.

Trump retoma comícios

Trump seguirá sua linha tradicional esta semana. O comício em Orlando, na Flórida, nesta segunda-feira (12) visa colocá-lo em vantagem em um dos estados mais críticos para a definição do vencedor.

No entanto, o presidente dá sinais de desespero. Um exemplo é a ordem para que secretário de Estado, Mike Pompeo, libere os e-mails de Hillary Clinton para o público. Esses e-mails foram importantes na narrativa de Trump na disputa contra Hillary em 2016 e reavivar esse tema, a essa altura do campeonato, visa mostrar aos eleitores indecisos que os democratas não podem ser confiáveis com informações de segurança nacional.

Biden seguirá uma linha mais discreta. Ele sabe que não pode cometer deslizes de linguagem, pois Trump sabe como ninguém transformar esses deslizes em manifestações midiáticas com grande repercussão. Por outro lado, Biden avalia que a vantagem nas pesquisas não garante nada e que precisa manter uma estratégia coerente. Sua campanha centralizará na questão da saúde pública e, principalmente, na forma como o presidente Trump abordou a Covid-19 após ter saído do hospital. Biden também baterá na tecla da irresponsabilidade de Trump quando, mesmo após o diagnóstico e sem um teste de que possui anticorpos, viajará para comícios na Flórida.

O esperado debate virtual entre os dois candidatos não deverá ocorrer. Trump foi instruído por seus estrategistas de que não valeria a pena se expor novamente, já que o resultado do primeiro debate entre os dois adversários não foi favorável ao presidente.

 

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