Ao retomar comícios, Trump diz que se sente “poderoso” e poderia “beijar” partidários

O presidente americano joga máscaras para partidários no início de seu primeiro comício após sua infecção pela Covid-19, nessa segunda-feira 12 de outubro de 2020, em Sanford, na Flórida.
O presidente americano joga máscaras para partidários no início de seu primeiro comício após sua infecção pela Covid-19, nessa segunda-feira 12 de outubro de 2020, em Sanford, na Flórida. SAUL LOEB / AFP

"Eu me sinto tão poderoso que poderia ir à plateia e beijá-los", declarou o presidente americano, Donald Trump, na noite dessa segunda-feira (12) ao retomar sua campanha, após ter sido infectado pela Covid-19. Trump discursou na Flórida, um estado-chave onde as pesquisas mostram que o republicano perde terreno. De acordo com o médico da Casa Branca, o presidente testou negativo para coronavírus "várias vezes seguidas" e, portanto, não é mais contagioso.

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Por Anne Corpet, enviada especial da RFI a Sanford, Flórida

“É muito bom estar de volta”, lançou Donald Trump no início do discurso. Sem máscara, o presidente-candidato falou durante uma hora. Também brincou com o público e garantiu que está mais em forma do que nunca.

Como de praxe, Trump repetiu suas críticas de sempre contra Joe Biden, referindo-se ao rival como “Joe, o dorminhoco" e condenou a estratégia prudente do democrata em relação à pandemia de coronavírus.

O líder republicano também aproveitou para glorificar o balanço de seu governo e chegou a exagerá-lo. Contra todas as evidências, assegurou que mais de 15 quilômetros do muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México são construídos a cada dia e que a obra é financiada pelo governo mexicano.

Maioria dos participantes sem máscara

“Nós te amamos” gritava a multidão, feliz em reencontrar o presidente. Milhares de partidários, colados uns aos outros e a maioria sem máscara, participaram do comício na Flórida.

Lisa Tharf, de chapéu vermelho e camiseta com as cores republicanas do candidato, agitava a bandeira americana freneticamente. “Ele está muito bem”, disse ela. “Isso mostra como ele é forte e que podemos nos recuperar da Covid. Não devemos ter medo e ficar em casa. Há milhares de pessoas aqui, e posso dizer que somos muito mais do que há quatro anos. As pessoas que apoiam Biden não têm esse entusiasmo, esse patriotismo e esse amor pelo nosso país”, completou.

Mike Sofka saiu do comício certo da vitória do presidente em 3 de novembro. “O coronavírus não pode parar Trump. Os democratas não podem pará-lo. Ninguém vai parar este país e Trump não vai perder”, prevê o partidário.

Um outro participante antecipou que o candidato republicano irá “daqui a 22 dias vencer na Flórida e terá mais quatro anos suplementares na Casa Branca. Nosso país será mais bonito do que nunca”.

Em queda nas pesquisas

No entanto, Donald Trump continua caindo nas pesquisas de opinião. Para vencer, ele tem que ampliar sua base eleitoral. O líder republicano lembrou que em 2016 ninguém previa sua vitória e anunciou que vai repetir a dose em 2020 com resultados inéditoss.

A maratona de comícios de Trump continua nesta terça-feira (13) em Johnstown, na Pensilvânia. Amanhã, ele irá a Des Moines, no Iowa, indicou um comunicado de sua campanha.

Até o momento, dez milhões de americanos já votaram antecipadamente para a eleição presidencial dos Estados Unidos, de 3 de novembro

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