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EUA: mercados apostam numa vitória de Joe Biden

Tradicionalmente resistente ao programa democrático, o mercado aposta numa vitória de Joe Biden.
Tradicionalmente resistente ao programa democrático, o mercado aposta numa vitória de Joe Biden. AFP/File
Texto por: RFI
4 min

Os mercados americanos agora veem a vida em azul, a cor do Partido Democrata. Em outras palavras, eles estão se preparando para a vitória de Joe Biden na eleição presidencial.

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Dominique Baillard

Wall Street, que sobe com as últimas pesquisas sobre intenções de voto, dá ao candidato democrata uma clara vantagem. A crença dos investidores de que ele pode vencer Donald Trump é apoiada por uma pesquisa realizada em setembro: 60% pensam que a vitória democrata é óbvia.

Esses são os primeiros sinais dessa entusiasmo do mercado americano por Joe Biden. Uma conversão bastante recente e, em última análise, surpreendente. Desde que Donald Trump está na Casa Branca, o mercado de ações tem se beneficiado muito: continua subindo e tem adorado seu programa de redução de impostos favorável aos negócios e ao crescimento.

Por outro lado, o mercado é tradicionalmente resistente ao programa dos democratas. Ou seja, mais impostos, mais regulamentação, mais gastos sociais. Porém, com a Covid-19, o apoio público à economia parece muito mais legítimo, e mesmo essencial para encontrar o caminho do crescimento. No entanto, são os democratas que estão lutando no Congresso para obter um segundo plano de estímulo massivo, enquanto Donald Trump procrastina sobre o assunto.

O banco Goldmann Sachs está prestes a revisar sua previsão de crescimento para cima se uma onda azul der ao Congresso uma maioria democrata. Seus analistas acreditam que com Joe Biden na Casa Branca, um grande plano de estímulo será lançado em janeiro, com gastos públicos assumidos a longo prazo para apoiar a atividade, o que mais do que compensaria os efeitos negativos de um provável aumento de impostos.

Concretamente, os investidores agora estão apostando em ações que poderiam se beneficiar da eleição de Joe Biden.

Segundo analistas econômicos, eles começaram a modificar suas carteiras. Os valores relacionados aos gigantes financeiros e tecnológicos são menos atraentes; por outro lado, as ações de empresas ligadas ao desenvolvimento de infraestrutura, economia verde, energia solar ou saúde ganharam interesse pela onda azul descrita pelas pesquisas.

Uma empresa de consultoria de investimentos que acompanha um conjunto de 30 ações que poderiam se beneficiar de uma vitória democrata. O resultado até agora é que, desde o início do ano, essas ações tiveram um aumento de 38% e superaram a performance do mesmo tipo de papel que poderia se beneficiar de uma vitória dos republicanos.

Podemos confiar no mercado de ações e tomar a eleição de Joe Biden como certa? Esse é o sonho dos mercados que passam o tempo todo apostando no futuro e que obviamente gostariam que a continuação da história provasse que eles têm razão. Porém, a análise dos dados da bolsa de valores acumulados há um século, cruzados com o resultado da eleição presidencial, contradiz a hipótese democrata. Nesse período, quando a bolsa de valores sobe fortemente nos três meses anteriores à eleição, como é o caso no momento, em 90% acontece em benefício do partido que controla a Casa Branca. Quando ela está em baixa, isso beneficia o seu oponente.

O mercado de ações, que não é democrata e nem republicano, em média favoreceu tanto um campo quanto o outro, e reage mais aos resultados do candidato de saída do que às perspectivas oferecidas por seu oponente. Quando esse desempenho é ruim, o mercado de ações cai, e então vemos o titular ser varrido pelos eleitores. Mas quando o desempenho é bom, o titular do cargo tem todas as chances de permanecer lá. Donald Trump pode, portanto, vencer, a menos que sua gestão das consequências econômicas e de saúde durante a pandemia mude a situação. É o desconhecido que perturba todas as tentativas de previsão.

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