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Justiça da Bolívia anula ordem de prisão contra Evo Morales

Evo Morales se prepara para retornar à Bolívia, depois de um ano no exílio
Evo Morales se prepara para retornar à Bolívia, depois de um ano no exílio AFP/Archivos
Texto por: RFI
4 min

A justiça boliviana anulou a ordem de detenção visando o ex-presidente Evo Morales, acusado por supostos crimes de terrorismo. A decisão, confirmada nessa segunda-feira (26) pelo juiz Jorge Quino, é anunciada uma semana após Luis Arce, protegido político do ex-chefe de Estado, ter sido eleito presidente da Bolívia.

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A ordem de detenção contra o ex-presidente, exilado na Argentina, foi suspensa porque "seus direitos foram desrespeitados, basicamente o direito à defesa, pois o ex-presidente não foi devidamente convocado", declarou o juiz Jorge Quino, que preside o Tribunal Departamental de Justiça de La Paz.

Morales sempre disse que o mandado de prisão preventiva na Bolívia por acusações de "terrorismo" era parte de uma "guerra suja". O líder socialista já se prepara para retornar à Bolívia, depois de um ano no exílio.

Sobre seus planos quando voltar ao país, Morales disse em entrevista à AFP por vídeo que irá morar na região de Cochambamba, para retomar o ativismo sindical que iniciou na década de 1980 até chegar à presidência em 2006.    "(Eu estarei) junto com os movimentos sociais e o MAS (Movimento ao Socialismo). Vamos cuidar, defender nosso processo, vamos acompanhar o Lucho (Luis Arce), claro, somos militantes. Vamos cuidar de nossos princípios ideológicos, também dos programas sociais para o bem de todo o povo boliviano", acrescentou o ex-presidente.

Quando questionado se assumiria algum papel no governo de Arce, ele respondeu de forma enfática: "Não, de forma alguma".

“Culpa dos EUA”

O ex-presidente, que governou a Bolívia por quase 14 anos, renunciou à Presidência em 10 de novembro de 2019, após perder o apoio das Forças Armadas em meio a uma crise gerada por denúncias de fraude eleitoral. Inicialmente asilado no México, refugiou-se na Argentina a partir de dezembro de 2019, quando o centro-esquerdista Alberto Fernández assumiu a Presidência, e está atualmente na Venezuela. 

Morales culpa os Estados Unidos e o Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, por sua saída do poder. "É um golpe dos Estados Unidos. O império conseguiu impedir Evo de ser presidente. Mas o plano do império, junto com a direita boliviana, era proibir o MAS e eles não conseguiram", ressaltou.

O ex-chefe de Estado disse ainda que deseja paz em seu país. "Vou fazer um trabalho de reconciliação, não podemos estar em confronto entre bolivianos, somos uma família. Claro, temos diferenças ideológicas, programáticas, de classe. Quero conversar com alguns grupos, com esses grupos de choque da direita. Tenho vontade de falar. É uma questão de tempo", explica Morales.

Um ano depois dessas eleições, o ex-presidente afirma que "o povo não se enganou ao pedir a continuidade (do seu governo)". Questionado sobre a vitória de Arce, ele disse que "agora a gente ganha de novo, está se repetindo, no primeiro turno. Os resultados das eleições de 18 de outubro são a melhor prova de que não houve fraude, e sim um golpe", finalizou.

(Com informações da AFP)

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