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Argentina anuncia fim da quarentena iniciada em março, a mais longa do mundo

Homem diante de um banco em Buenos Aires em 10 de abril de 2020. A Argentina se prepara para sair do lockdown mais longo do mundo, que começou em 20 de março.
Homem diante de um banco em Buenos Aires em 10 de abril de 2020. A Argentina se prepara para sair do lockdown mais longo do mundo, que começou em 20 de março. REUTERS/Agustin Marcarian
Texto por: Márcio Resende
5 min

O presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou que, com exceção de duas cidades, a Argentina sairá oficialmente do isolamento social, considerado o mais prolongado do mundo. Fernández pediu à população que mantenha os esforços de proteção e não relaxe nos cuidados, justamente quando é criticado por ter organizado o velório de Diego Maradona sem distanciamento social nem proteção.

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Márcio Resende, correspondente em Buenos Aires

"Verificamos que, nas duas últimas semanas, a quantidade de casos caiu aproximadamente 30% no país. Vamos manter em isolamento social apenas em duas cidades: Bariloche e Puerto Deseado (as duas na Patagônia). Esta nova etapa vai até 20 de dezembro", anunciou o presidente Alberto Fernández, sublinhando que "a população deve continuar com o esforço porque o problema da pandemia não foi superado".

O pedido para que os argentinos continuem com os esforços chegou na noite desta sexta-feira, um dia depois das gigantescas aglomerações populares em torno do velório do ex-jogador Diego Maradona, organizado pelo próprio governo.

A cerimônia, no qual cerca de um milhão de pessoas não mantiveram distanciamento social nem cuidados de proteção, levou a oposição a denunciar penalmente o presidente Alberto Fernández por favorecer a propagação do coronavírus.

"As imagens que vimos do velório são o que devemos evitar. Claro que são um risco epidemiológico cujo impacto veremos dentro sete ou dez dias", criticou o ministro da Saúde de Buenos Aires, Fernán Quirós.

Foi a vez do interior

O anúncio do fim da quarentena se aplica a dez das 24 províncias argentinas, a maioria no interior. Na região metropolitana de Buenos Aires, o fim da chamada "quarentena eterna" começou em 9 de novembro, depois de 233 dias de isolamento.

O fim da quarentena, no entanto, não acabou com as restrições. O transporte público, por exemplo, continua exclusivo para as atividades consideradas essenciais.

A extensão da quarentena ajuda a entender a drástica queda na popularidade de Alberto Fernández que, em março, tinha 67,8% de imagem positiva e agora tem 32,4%, segundo a consultora Giacobbe & Asociados.

“É um vertiginoso processo de desilusão”, define à RFI o analista político Jorge Giacobbe, autor do estudo, o mais recente publicado nesta semana.

"Os números indicam que a quarentena já não tinha sentido. O erro foi usar a quarentena como único recurso para controlar a pandemia. O governo ficou sem margem para continuar com o lockdown, enquanto os casos só aumentam", indica o analista.

O estudo também aponta que 64,2% dos argentinos concordam com a mudança de isolamento a distanciamento social. “Os argentinos estão exaustos. O cansaço social depois de oito meses chegou ao limite. A fase racional da quarentena já tinha acabado meses atrás”, conclui Giacobbe.

Aguentar até a vacina

O presidente também traçou a nova meta do país em relação à pandemia: vacinar a maior quantidade de pessoas possível entre janeiro e março quando começará o outono.

"Temos a vantagem de ver o que acontece com a pandemia no hemisfério Norte. Uma segunda onda com uma quantidade de contágios realmente alarmante. É muito possível que a Argentina deva enfrentar uma segunda onda. Por isso, quanto mais cuidados tivermos mais fácil será enfrentar o outono", comparou Fernández.

Para evitar esse espelho europeu, a Argentina pretende vacinar 13 milhões de pessoas.

"Quando março chegar, queremos que todos os grupos de risco estejam imunizados. O total de pessoas que deveríamos vacinar entre janeiro e março é de 13 milhões de pessoas, cerca de 25% dos argentinos. Esse é o esforço que devemos encarar agora", apontou o presidente.

Depois de março, a vacinação continuará com aqueles que não são grupo de risco. A vacina será gratuita para população, mas não obrigatória.

"Convoco todos a serem parte dessa epopeia que é cuidar da saúde. Vamos precisar de cerca de 20 mil voluntários. A Argentina, com todo esforço, pode vacinar entre 4,5 e 5 milhões por mês", calculou Fernández.

Apesar da quarentena mais prolongada e rígida do mundo, a Argentina é o nono país com mais casos, mesmo quando é um dos que menos testes faz. São 1,407 milhão de contagiados e 38.216 mortos.

Em relação à sua população, ocupa o 23.º posto, pior do que Brasil (28º), Peru (30º) e Chile (32º), países sul-americanos com mais alta taxa de casos. Em relação à sua população, a Argentina ocupa o 8º posto em número de mortos. O Peru aparece em 3º lugar e o Brasil, em 11º.

 

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