Acessar o conteúdo principal

Análise: Equipe de Biden terá que reconstruir a diplomacia dos EUA após administração Trump

A União Européia já demonstra alívio pela saída de Trump. Está disposta a trabalhar com Biden em múltiplas frentes: Covid-19, transição energética, mudança climática e fortalecimento de organismos multilaterais.
A União Européia já demonstra alívio pela saída de Trump. Está disposta a trabalhar com Biden em múltiplas frentes: Covid-19, transição energética, mudança climática e fortalecimento de organismos multilaterais. REUTERS - YURI GRIPAS
Texto por: Thiago de Aragão
8 min

O presidente americano, Donald Trump, começa a dar indícios de que sua certeza que reverteria o resultado eleitoral já não existe mais. Comentários dúbios e incertezas em relação ao avanço de seu processo demonstram que a saída já está sendo planejada.

Publicidade

Joe Biden anunciou nomes importantes para seu gabinete, mas muitos outros ainda faltam. Antony Blinken será o secretário de Estado. A diplomacia terá um papel crítico nessa administração, pois terá de passar por uma reconstrução antes de ser implementada. Essa reconstrução mira, primordialmente, as relações com União Europeia, Canadá, Japão, Austrália, Coreia do Sul e Índia.

A União Europeia já demonstra alívio pela saída de Trump. Está disposta a trabalhar com Biden em múltiplas frentes: Covid-19, transição energética, mudança climática e fortalecimento de organismos multilaterais. A China não está sendo explicitamente colocada pela UE como um foco, mas se encaixa em todas essas vertentes principais com as quais já estão dispostos a trabalhar.

O Canadá será novamente um aliado primordial para os EUA na administração Biden. A cooperação no âmbito da inteligência sempre seguiu forte, mas agora terá um papel ainda mais relevante, já que a integração entre a Casa Branca e os órgãos de inteligência deverá ser mais sólida do que a existente entre Trump e esses órgãos.

O Japão passa a ser um aliado ainda mais importante por conta da estratégia asiática de contenção da China. O Japão já faz parte da aliança militar naval (Quad – EUA, Austrália, Japão e Índia) e está sendo cogitado para integrar o “5 Eyes”, cooperação de inteligência entre EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

A Austrália tem sua importância consolidada dentro do “5 Eyes” e do “Quad”, mas também é um país determinante para os EUA dentro do contexto asiático, principalmente de controle e ocupação de espaço crítico no Oceano Índico (para fins de neutralização da China). A Austrália é o parceiro que, depois dos EUA, mais problemas possui com a China.

A Coreia do Sul também traz um elemento estratégico em relação à China, principalmente no Mar do Leste da China, uma área cada vez mais conturbada. Já a aproximação com a Índia revela o desejo americano de ter este gigante asiático dentro da sua esfera de influência e alianças estratégicas. Apesar de ser um importante cliente militar da Rússia, a Índia já faz parte do “Quad” e recentemente firmou uma parceria bilateral com os EUA para troca de informações de inteligência e acesso mútuo aos seus bancos de dados.

Com isso, durante a administração Biden, a estratégia dos EUA em relação à China visa uma abordagem multilateral, na qual a diplomacia ocupará um papel-chave na construção dessas alianças e coordenação. O Oceano Índico e o leste asiático serão as regiões mais importantes dentro dessa estratégia e esses países terão um papel preponderante.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.