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Opinião: Vacinação trará efeitos psicológicos e econômicos positivos para os Estados Unidos

Os Estados Unidos iniciam esta segunda-feira (14.12) uma vasta campanha de vacinação contra a Covid.
Os Estados Unidos iniciam esta segunda-feira (14.12) uma vasta campanha de vacinação contra a Covid. © VIA REUTERS
Texto por: Thiago de Aragão
8 min

A "segunda onda" da Covid-19 vem causando um tsunami de mortes e novos casos nos EUA. A última semana foi particularmente dolorosa, onde chegamos a ter quase 3 mil mortes em um único dia e mais de 220 mil novos casos. A população americana parece exausta de praticar distanciamento social e procedimentos necessários para a proteção básica contra vírus. Por outro lado, estados onde a falta de cuidados tem sido o principal fator de promoção da doença, estão vendo casos disparando e hospitais ficando cada vez mais cheios de novos pacientes em estado grave.

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Thiago de Aragão, analista político

No mar das dificuldades que o país vem experimentando, uma grande e positiva notícia trouxe um pouco de esperança para milhões de americanos. Nessa semana, a vacina da Pfizer começará a ser aplicada em profissionais de saúde e pessoas mais vulneráveis a doença. As fábricas da Pfizer em Michigan e Wisconsin estão produzindo a todo vapor, dia e noite, para que o primeiro lote de 40 milhões de doses estejam disponíveis o mais rápido possível.

Uma das grandes dificuldades é logística, já que a vacina precisa de um resfriamento de 70 graus celsius negativos. Mesmo com a boa notícia, o Presidente Donald Trump não adequou sua narrativa para capitalizar em cima da distribuição da vacina.

Para ele, a distribuição nesse momento, foi tarde demais para trazer algum impacto eleitoral. Sua percepção é que o FDA (orgão regulador americano) atrasou demais na liberação da vacina (o que aconteceu apenas na sexta-feira passada) e que isso pode ter sido feito propositalmente para afetar a corrida eleitoral.

Naturalmente, não existem comprovações de que o FDA atrasou a análise da vacina apenas para prejudicar o atual Presidente americano na disputa contra o vencedor, Joe Biden.

Outras vacinas

A notícia da vacina trará um efeito psicológico bastante positivo na população e na economia do país. Nas vésperas de mais um robusto pacote de incentivos, que ainda está em discussão em Washington entre Democratas e Republicanos, o ano de 2021 deverá se iniciar com mais um poderoso estímulo à economia além da vacinação ocorrendo em massa pelo país. Isso trará confiança para o investidor, para a população que deverá voltar a consumir (apesar de em níveis mais baixos do que na pré-pandemia) e para o governo que focará na gestão da distribuição e na contenção dos casos que seguirão surgindo.

A vacina da Moderna, de fabricação inteiramente americana, deverá estar disponível nas próximas semanas. Sua aprovação ainda depende do FDA, mas tudo indica que isso deverá ocorrer logo. Com as duas vacinas disponíveis e a chegada dos lotes da AstraZeneca no começo de 2021, os EUA poderão avançar num processo pesado de imunização.

Para Biden, essa é uma excelente notícia. Certamente ele não iria querer estar sofrendo pressões de eleitores para que o FDA aprove logo as vacinas. Com as aprovações ocorrendo ainda na administração Trump, restará a Biden manusear a logística de distribuição com os estados. Dada a boa capacidade de distribuição e infraestrutura hospitalar na grande maioria dos estados americanos, essa função não representará uma imensa dificuldade para Biden, já que o papel dos governadores será chave nesse processo.

 

 

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