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Covid-19: Chegada da vacina trouxe alívio, mas também noção equivocada de que o pior já passou

Há um ano morria a primeira vítima (registrada) de Covid em Wuhan, na China. De lá pra cá, tudo o que aconteceu era impossível de prever. Os EUA acabaram sofrendo mais do que qualquer outro país, vendo o Covid não só atormentando a sociedade com milhares de mortes diárias, mas também observando que a China passou a equilibrar a disputa por influência global.
Há um ano morria a primeira vítima (registrada) de Covid em Wuhan, na China. De lá pra cá, tudo o que aconteceu era impossível de prever. Os EUA acabaram sofrendo mais do que qualquer outro país, vendo o Covid não só atormentando a sociedade com milhares de mortes diárias, mas também observando que a China passou a equilibrar a disputa por influência global. REUTERS - THOMAS PETER
Texto por: Thiago de Aragão
9 min

Há um ano morria a primeira vítima (registrada) de Covid-19 em Wuhan, na China. De lá pra cá, tudo o que aconteceu era impossível de prever. Os Estados Unidos acabaram sofrendo mais do que qualquer outro país, vendo a doença  não só atormentando a sociedade com milhares de mortes diárias, mas também observando que a China passou a equilibrar a disputa por influência global.

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Thiago de Aragão, de Washigton*

A Covid-19 entra no ano 2021 mais forte do que nunca. Ao longo de 2020 vimos o presidente Donald Trump, além de governantes estaduais, cravarem semanalmente que o problema estaria próximo do fim. O otimismo não funciona com pandemias. O que funciona é planejamento, sacrifício, gastos e, acima de tudo, pesquisas científicas.

Apenas a ciência derrota a Covid-19, assim como com todas as pandemias passadas. Os Estados Unidos sofreram incessantemente ao longo de 2020 com uma pandemia que, infelizmente, para muita gente, acabou sendo normalizada.

A caótica política americana de 2020, além de paranóias em relação à conspirações relacionadas ao virus, prejudicaram fortemente a educação da população para melhor se prevenir. Quando chegamos em janeiro de 2021 com um número de mortes diárias superiores a 3 mil, vimos que nenhum otimismo, nenhuma diminuição ou relativização do poderio devassador da Covid-19 colaboram com o controle da transmissão.

Os EUA vivem uma tragédia sanitária que em um ano já matou mais americanos do que a II Guerra Mundial. No entanto, diferentemente da II Grande Guerra, onde honras militares aos mortos eram justamente concedidas, durante a pandemia o que vemos é a busca pela "normalização" de mortes, principalmente por aqueles que se furtam do cuidado básico: o uso de máscaras.

A Covid-19 trouxe um impacto sanitário, social - sendo inclusive politizado, tendo a máscara como um bizarro símbolo de posicionamento político em alguns estados, político, geopolítico e econômico. O volume de pacotes econômicos aprovados pelo governo foi superior a US$ 3 trilhões e colaborou para que a economia americana não entrasse em colapso.

Embates dos EUA com a China

Tanto na economia, quanto na geopolítica, a Covid-19 teve um papel preponderante na postura adotada pelo governo Trump em relação à China. Várias vertentes ilustraram os embates entre as duas superpotências da atualidade: busca por equilíbrio econômico, disputas por influências geopolíticas a partir do comércio e de linhas de financiamento, confrontos na frente tecnológica, mirando a propriedade intelectual como ponto central e a origem da Covid-19, a responsabilidade da China na contenção do vírus e como isso causou caos em um ano que entrará para a história.

A pandemia afastou americanos uns dos outros, assim como a polarização política. Mesmo com várias vacinas disponíveis, o ano ainda promete ser bastante difícil. O sentimento de alívio com a chegada da vacina também provocou na população a sensação de que o pior já passou. Errado. O pior está acontecendo e ainda acontecerá por muitos meses, até que todos sejam vacinados.

*Thiago de Aragão é analista político e faz crônicas para a RFI Brasil todas as segundas-feiras

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