Polícia da Guatemala usa gás lacrimogênio para conter marcha de migrantes

Os migrantes hondurenhos que se dirigem aos Estados Unidos atravessaram o posto de fronteira de El Florido para entrar na Guatemala.  Em 15 de janeiro de 2021.
Os migrantes hondurenhos que se dirigem aos Estados Unidos atravessaram o posto de fronteira de El Florido para entrar na Guatemala. Em 15 de janeiro de 2021. REUTERS - STRINGER
Texto por: RFI
3 min

A polícia da Guatemala usou gás lacrimogêneo neste domingo (17) contra uma marcha de milhares de migrantes de Honduras que se dirigem para os Estados Unidos. Na tentativa de deter a multidão, os policiais e unidades militares cercaram aproximadamente 6.000 pessoas em uma estrada na cidade de Vado Hondo, perto da fronteira hondurenha.

Publicidade

O grupo avançava quando as forças de segurança dispararam bombas de gás lacrimogêneo, fazendo com que os migrantes recuassem cerca de 200 metros.

No sábado (16), pelo menos 4.500 pessoas que viajavam a pé de Honduras para os Estados Unidos conseguiram entrar na Guatemala pela passagem de fronteira em El Florido, localizada a 220 quilômetros a leste da capital. Eles derrubaram o cerco policial gritando "queremos passar".

Desde sexta-feira (15), o grupo aguardava do lado hondurenho da fronteira para seguir viagem, após terem iniciado a jornada naquela madrugada, na cidade de San Pedro Sula. Alguns encurtaram o caminho embarcando em caminhões e outros veículos na rodovia.

Na fronteira, uma primeira linha da polícia hondurenha foi vencida. Em seguida, os migrantes avançaram em correntes humanas até onde os guardas guatemaltecos os esperavam. As autoridades esclareceram que apenas aqueles que tinham os documentos em ordem e um teste negativo de Covid-19 poderiam passar. Porém, apesar de muitos não terem realizado o teste, os migrantes pressionaram a marcha e conseguiram entrar no país sem confrontos.

Na longa caminhada, a maioria carrega mochilas, máscaras contra as contaminações de coronavírus e bandeiras de seu país. Os migrantes afirmam estar fugindo de Honduras, país duramente atingido pela passagem de dois furacões em novembro e pela falta de empregos causada pela pandemia de Covid-19, problemas que se somam aos males endêmicos de uma nação crivada de violência, associada a gangues e ao tráfico de drogas.

A vice-chanceler hondurenha, Nelly Jeréz, reconheceu que "as pessoas buscam uma melhoria na qualidade de vida", algo a que "todos temos direito", mas sugeriu uma "migração regular, ordenada e segura", e denunciou o povo " inescrupuloso "que cobra para orientar os migrantes.

Desde 2019, Honduras deteve 293 dos chamados "coiotes", pessoas acusadas de organizar travessias de migrantes por meio de passagens não autorizadas. Pelo menos três deles foram detidos nesta caravana, revelou Jeréz.

No caminho, os migrantes ainda encontrarão vários postos de controle da polícia dentro da Guatemala antes de chegarem à fronteira com o México, que já anunciou que "não permitirá a entrada irregular de caravanas de migrantes" e destacou 500 agentes para reforçar a segurança em Chiapas e Tabasco, estados fronteiriços com Guatemala.

 

 

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.